Deep Purple e Lynyrd Skynyrd: Review de show conjunto em Dallas
Resenha - Deep Purple, Lynyrd Skynyrd (Smirnoff Music Centre, Dallas, USA, 06/07/2001)
Por José Carlos de Lima
Postado em 06 de julho de 2001
A intenção deste review nao é deixar ninguém com água na boca, com vontade de se suicidar, nem querer tirar onda, mas sim compartilhar (nem que seja virtualmente falando) a emoção sentida.
Estava um calor de 40 graus, o que inevitavelmente só se curaria com muita cerveja. Como dentro do estádio cada copo do equivalente a uma "Schincariol quente" custava $7.00 (!!!) tivemos que levar de casa e tomá-las no caminho.
Devido a um pequeno engarrafamento na entrada do estacionamento, chegamos uns 20 minutos atrasados, tempo suficiente pra perdermos o Cheap Trick, que ou começou seu show mais cedo, ou tocou somente 20 minutos. Ainda deu para ouvir do lado de fora "Surrender". Mas tudo bem, nao tinha ido ali mesmo pra vê-los (apesar de adorar "I Need Your Love" do album "Live At Budokan" - olha o meu lado negro ai).
Logo pelo estacionamento já dava pra notar que este era o dia dos "RedNecks" - Pra quem nao sabe, "Redneck" eh aquele americano branquelo tipico, tão branco que seu pescoço chega a ser vermelho (daí o nome), xenófobo, que não gosta de qualquer povo que não seja americano, adora portar armas e decidir tudo na base do tiro. Habitante típico da região sul dos USA, tem o Lynyrd Skynyrd como uma de suas bandas favoritas.
Ted Nugent, apesar de ser nativo de Michigan, norte do país, também possui caracteristicas redneck. Praticante da caça de animais, é sheriff num condado de Michigan e DJ numa rádio rock local. Ano passado, quando abria um show do Kiss em Houston, mandou que "todos os ilegais mexicanos, que não sabem falar um palavra em inglês, voltassem pro seu país", assim mesmo, diante de uma platéia numa cidade aonde pelo menos 30% são imigrantes.
Os amigos que estavam lá comigo, que por terem 21/23 anos e
portanto uma vida social muito mais movimentada que a minha, já sofreram algum tipo de preconceito por parte dos camaradas acima, e estavam um pouco apreensivos em relação ao ambiente. Mas tudo correu sem maiores problemas.
Começa o show de Ted Nugent, que entra com uma camisa da bandeira da confederação sulista. Não preciso dizer que o público foi à loucura, só faltava sacarem suas armas e darem tiros para o alto.
Prezepeiro como sempre, ele abriu com "Paralyzed", seguido de "Hey Baby", "Stormtroopin", "Wang Dang Sweet Poontang" , "Free For All", "Stranglehold", "Motor City Madhouse", "Cat Scratch Fever", finalizando com "Great White Buffalo", aonde ele colocou uma guitarra fake em cima de um amp e atirou uma flecha (de seu arco de caçador) na tal guitarra. Sem comentários...
Uma pequena pausa pra mais uma rodada de cervejas, e entra o Deep Purple. Esta foi a primeira vez que os vi ao vivo, pois perdi os shows do Brasil. Tomei um susto quando entra o Gillan de cabelos curtos, bastante grisalhos, e com uma blusa típica de quem voltou de férias do Hawai. Abriram com "Woman From Tokyo", seguida de "Ted The Mechanic", "Lazy" , "Knocking At Your Back Door" e o ponto alto da noite, pra mim : "Fools" - esta foi uma das melhores versões ao vivo que já ouvi. Simplesmente no solo, que começou tal como a versao de Blackmore, controlando o volume na guitarra, mas que Steve Morse improvisou em cima e simplesmente arrasou.
O público, por outro lado, estava um pouco morno (afinal, eles foram lá para ver as bandas americanas), e dava pra notar que somente o pessoal mais antigo estava curtindo o show. Depois rolaram "No One Came", "Perfect Strangers", "When A Blind Man Cries", um riff raff do Steve Morse (tocando trechos de Who, Hendrix, Edgar Winter, Led Zeppelin, Kinks e Van Halen) para introduzir "Smoke On The Water", que foi quando o público se entusiasmou.
No encore rolaram "Hush" e "Highway Star". A esta altura, devido ao teor alcóolico, a minha vergonha de cantar foi pro espaco (uma coisa é cantar no que se chama "embromation" no Brasil, a outra e fazer isto na terra dos caras, pois sou péssimo para decorar letras), e gritei o mais alto que pude.
Um dos meus amigos, que ainda está sendo catequisado em matéria de rock'n'roll e não conhecia muito do que rolava, estava mais interessado numa menina que sentou ao meu lado, junto com sua suposta mãe (uma redneck de 2 metros de altura, com o braço todo tatuado).
Mais uma pausa para mais um refil de cerveja (os tais $7.00 já estavam baratos), e entra o Lynyrd Skynyrd, com o estádio quase lotado. Devido ao meu estado não lembro exatamente da seqüência, mas sei que rolaram "Gimme Three Steps", "On The Hunt", "What's Your Name", "I Ain't No One", "Gimme Back My Bullets", "Call Me The Breeze", "That's Smell", "Sweet Home Alabama", e no bis, óbvio, "FreeBird". Esta foi a segunda vez que os vi aqui, e achei este show muito melhor produzido do que o anterior. Quando no primeiro show rolou "Sweet Home Alabama" no fundo do palco surgiu uma enorme bandeira dos confederados. Desta vez, havia um imenso telão reproduzindo isto. Outra coisa, durante o show inteiro eles se proclamavam a maior banda de Rock and Roll dos USA, talvez contestando o título que a mídia não cansa de atribuir ao Aerosmith (depois da apresentação ao lado do NSync e Britney Spears no SuperBowl, não dá para encarar o Aerosmith como uma banda de Rock). Rickey Medlocke, originalmente do Blackfoot, agora faz parte do Lynyrd, como terceiro guitarrista. Foi um showzaço, mas o ponto alto da noite foi sem dúvida o Deep Purple.
Como eu não estava nas primeiras fileiras de cadeiras, não deu para comprovar o que dizem sempre rolar: que a mulherada tira a blusa e deixa os peitões à mostra. E o meu amigo continuava ainda interessado na garota, até o momento após o show em que ela e sua suposta mãe se atracaram e trocaram um belíssimo beijo na boca! Este é o Texas!
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