Resenha - Dio (DirecTV Hall, São Paulo, 05/04/2001)

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Por Fernanda Zorzetto e Thiago Sarkis
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São Paulo - 05/04 - DirectTV Hall


Após 4 anos sem se apresentar no Brasil, Dio vem pela quinta vez ao país, para divulgar seu último álbum, "Magica". Ele esteve no Brasil em 92 com o Sabbath, em 95 solo, em 97 para o Skol Rock e no ano passado fez uma participação especial no show do orquestrado do Deep Purple.

Em quase duas horas de show e casa lotada, a apresentação de Ronnie James Dio em São Paulo começou com pouco mais de uma hora de atraso. O público presente de cerca de 6 mil pessoas foi agitado do começo ao fim do show pelos clássicos do Rainbow, Sabbath e carreira solo do Dio.


A banda formada pelo guitarrista Craig Goldy, o baixista Jimmy Bain, o batera Simon Wright (ex-AC/DC) e o tecladista Scott Warren, abre o show com Sunset Superman e logo na terceira música, Simon faz um solo de bateria. A apresentação seguiu com faixas do "Magica", álbum lançado no ano passado e que a tour está divulgando, que não empolgaram tanto o público por serem mais lentas e conceituais.

Não faltaram as tradicionais "Dont Talk to Strangers", "Holy Diver" e "Rainbow in the Dark", além da excelente "Losing my Insanity" e um medley de "Man on the Silver Mountain" com "Long Live Rock & Roll". Fechando o show, foram tocadas "Gypsy" e "We Rock" no bis. Vale o destaque para "Heaven & Hell" que foi muito bem executada e levou todo o público cantar junto. O guitarrista Craig Goldy foi o ponto negativo do show, mudando completamente alguns solos originais e muitas vezes atropelando o vocal de Dio nos finais das frases. O tecladista, com o mesmo problema, deixou bastante a desejar.


O destaque da tão esperada apresentação foi, além dos clássicos é claro, o carisma de Dio, que mostra como poucos de sua geração, que ainda faz um trabalho honesto e gosta do que faz. Em mais de duas horas de show, Dio prova porque é considerado um dos melhores vocalistas que o metal já conheceu à beira dos seus 60 anos de idade.


Belo Horizonte - 06/04 - Estação 767


O show de Dio e sua banda em Belo Horizonte explicitou o que todo mundo já sabia. A cidade precisa de uma casa para eventos com público razoavelmente grande, como a Estação 767, mas com uma qualidade de som bem superior, condições higiênicas básicas e aparência menos deprimente.

Para quem não conhece, a Estação 767 se localiza em um dos lugares mais pedreiras de Belo Horizonte e há anos, varia suas atividades entre depósito, casa de show e até estacionamento. Nenhum problema até aí. Afinal, para grande parte das pessoas, principalmente esses infelizes que colocam de pé esses locais para espetáculos, metaleiro é porco e só pode ter portas abertas em lugares sujos, com vidros quebrados, iluminação precária e qualidade sonora abaixo da crítica, como a 767. Então é simples, é só abrir o depósito e colocar a manada.


O pior disso tudo é que, infelizmente, há um grupo de supostos fãs de metal que fazem por onde manter essa imagem. Eu iria além, me arriscando a dizer que não chegam a ser grupos e sim, imbecis isolados no meio da multidão, fazendo baderna e prejudicando a festa de quem realmente gosta de música. E algumas dessas figuras estavam no show do ex-vocalista de Black Sabbath e Rainbow, arrancando extintores de incêndio, arrumando briga e tumultuando ainda mais, o já pouco seguro local.

Diante de todos esses obstáculos e de um público relativamente grande, as bandas mineiras Thespian e Concreto se apresentaram. A primeira, já havia mostrado na abertura para o Stratovarius, que tem condições de alcançar um lugar ao sol no cenário nacional. Confirmou isso na abertura para o lendário Dio. Metal melódico interessante, com bons músicos. Nada de esplêndido, mas algo a ser checado. A segunda, fez o de sempre. Empolgou, causou alvoroço e fez com que se abrissem várias rodas de mosh, com músicos e composições de qualidade discutível.


Por volta de uma da manhã, foram dados os primeiros sinais da entrada de uma das figuras mais célebres e carismáticas da história do metal. Lá estava o brilhante Dio, acompanhado por Craig Goldy na guitarra, Jimmy Bain baixo e o ex-AC/DC, Simon Wright, na bateria.

É impressionante como, mesmo com a ‘chegada da idade’, Dio mantém uma qualidade técnica invejável, com a voz poderosa e firme de sempre. Também absurda é a capacidade de Ronnie puxar a platéia, levá-la para onde bem entende e comandar o espetáculo. Ele conseguiu, mesmo com várias músicas do novo álbum, “Magica”, desconhecido por muitos, trazer o público e empolgar em boa parte de sua apresentação.


O set list foi bem programado, típico de quem sabe divulgar um trabalho. A variação entre músicas do disco mais recente e clássicos deu certo e conseguiu manter os presentes acesos. O solo de bateria, que normalmente deixa muita gente cochilando, foi estrategicamente inserido no começo do show, quando todos ainda estavam no pique, animados. O que não deu muito certo foi o solo de guitarra, entre as músicas “Eriel” e “Challis”. Craig Goldy tira um som bem legal de sua guitarra, com riffs interessantes e bastante peso. Isso quando acompanhado pelo grupo. Sozinho não dá. O cara é um baita de um ‘engana trouxa’. O solo é fraco e fica ainda pior quando ele cisma em mostrar uma técnica que não tem, como ficou claro na pequena parte de sofrível ‘two hands’.

Muita baderna entre o público e algumas coisas voando no palco, irritaram Dio. O cantor pediu a ajuda de um tradutor, desceu o sermão na galera e deu um ultimato: ou paravam com a palhaçada ou não tinha mais show. A intervenção foi na hora certa e deu resultado.


O som estava razoável nas proximidades do palco. Porém, na parte de trás, o bicho pegava. O jeito era prestar atenção e lembrar dos discos, porque a guitarra soava embolada, o vocal vinha lá no alto e bateria e baixo estavam muito abafados. Desse jeito, fica complicado. Porém, aqueles, com ouvidos mais limpos e, com certeza, mais lesados após o show, puderam fazer a festa com um set list longo, que continha “Fever Dreams”, “The Last In Line”, “Magica”, “Heaven & Hell”, “Holy Diver”, “Rainbow In The Dark”, “Stand Up & Shout”, “Don’t Talk To Strangers”, “Invisible”, “Otherworld”, “Man On The Silver Mountain” e outras grandes composições, que marcaram a carreira deste verdadeiro Deus do Metal.

Se Dio saiu pensando em voltar à capital mineira algum dia, não se sabe. Porém, é certo que, mesmo com a baixa qualidade de som e todos os problemas enfrentados, o público saiu satisfeito e empolgado com o que viu.

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Sobre Fernanda Zorzetto

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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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