Boas lojas de discos: Uma experiência cada vez mais rara

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Por Ricardo Bellucci
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A vida é repleta de pequenos rituais, alguns com profundo significado. Como docente do ensino básico, temos as férias quebradas em dois momentos bem marcados no ano, devido ao calendário escolar. Isso me proporciona mais tempo para realizar um dos passatempos favoritos: ir ao centro de Sampa atrás de novidades, raridades e livros. Me sinto em uma verdadeira expedição de caça ao tesouro.

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Esse ritual semestral não é realizado em voo solo. Vou acompanhado de meu amigo de longa data, Ivison Poleto, que escreve aqui, no Whiplash. É uma oportunidade de bater um papo, colocar a conversa em dia, sobre rock, principalmente.

Na nossa ultima expedição rockeira, com um pouco mais de tempos, caminhávamos pela lendária Galeria do Rock. Nesse dia chegamos um pouco antes do habitual, muitas das lojas ainda estavam por abrir. Percebemos, no entanto, que o número de lojas de discos e cd's vem diminuindo a cada ida, de forma sensível. Lançamos algumas hipóteses, caro leitor, para explicar tal fenômeno.

Os serviços de música digital, na ponta do dedo, está disponível no celular, cada um de nós pode baixar músicas, a qualquer hora e em qualquer local. Além disso, existe algo que mudou, profundamente, em relação a nossa época ( os jurássicos anos setena e oitenta). Os velhos e bons LP's nos proporcionavam uma experiência ímpar: como não eram baratos, quando você tinha a oportunidade de escutar um novo, você queria ouvir o LP todo, até gastar a agulha! O que estou querendo dizer com isso? Criamos o hábito de escutarmos um LP todo, ou seja, não apenas uma faixa ou outra! Isso nos proporcionava uma experiência quase religiosa, mística. Sentar, sem pressa, ouvir e apreciar a obra, em seu todo, observando a inter-relação entre as faixas, percebendo a visão da banda para o todo do LP.

A galera dos dias atuais não teve a oportunidade de passar por essa experiência. Além disso, nativos digitais que são, não desenvolvem o salutar hábito da paciência, tudo é para agora, começam a escutar uma faixa e logo em seguida, click, pulam para outra, de outra banda ou artista. O salutar hábito de escutar uma obra completa nos aumentava a percepção e apurava o gosto musical.

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Isso se perdeu. Construíamos uma identidade de gosto, uma empatia não apenas com uma banda, mas com o gênero musical que ouvíamos, no caso, o rock.

Ir a uma loja era uma experiência transcendental. Quantos de nós íamos acompanhados de colegas, amigos, a Woodstocok Discos, a Baratos Afins ou Aqualung, dentre outras lendárias lojas do centro da cidade. Era algo maior, a música, assim sendo, fazia parte de uma experiência maior, uma verdadeira experiência de vida! Quantos de nós não acabamos por criar uma banda de garagem!

Agora, caro leitor, nos dias atuais temos algo parecido? A galera mais jovem tem essa chance, de viver essa experiência maior? Creio que não! Na minha opinião, forjada naquele papo com meu amigo Ivison, naquela manhã, não! Isso talvez explique, EM PARTE, o fechamento de tantas lojas. Certamente a queda nas vendas de CD's tem outras causas. Não tenho a pretensão de emitir uma opinião definitiva e única.

Na verdade apenas queria dividir com você, que lê essas despretensiosas linhas, minha opinião, talvez até algo mais, bater um papo com alguém que passou pela mesma espécie de experiência formadora.

Encerro essas linhas com uma pequena homenagem a duas lojas que marcaram minha vida, em termos musicais:

Longa vida ao rock!




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Sobre Ricardo Bellucci

Math teacher, pesquisador, vocalista frustrado, historiador amador e economista por acaso. Um eterno aprendiz.

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