David Ellefson diz que continua amigo de Kiko Loureiro: "não se acovarda ao cancelamento"
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de maio de 2023
O baixista David Ellefson, ex-Megadeth, concedeu entrevista ao canal brasileiro Heavy Talk e comentou sobre como está sua relação com Kiko Loureiro, seu então companheiro na banda de Dave Mustaine.
"Deixa eu contar uma história. Primeiro, sim. Kiko e eu temos sido grandes amigos. Ele é um homem de integridade, não se acovarda à cultura do cancelamento, não se acovarda a pessoas de merda desse mundo, ele é um homem de passo firme. E tem sido um ótimo amigo. E é interessante porque eu sabia que Chris Broderick e Shawn Drover iriam sair. Eu não sabia quando ou como, mas eu sabia que aconteceria.

Por causa da maneira injusta que eles estavam sendo tratados pelo regime administrativo que veio em 2014... Sabe, os salários deles foram reduzidos, essencialmente eles estavam sendo esprimidos, certo? E eles disseram "foda-se, estamos fora". E é interessante que quando eu fui para La Paz na Bolívia e São Paulo, eu fiz aquela turnê Metal All Stars, que no fim foram apenas dois shows. Mas o Angra era a banda de abertura, aí tinha o All Stars e aí acho que o Black Label Society era tipo o headliner. E foi durante esses dois shows...
Eu conheci o Kiko antes no NAMM Show, para um lance de autógrafos. E claro que eu sabia dele por revistas e tudo mais. E aí eu finalmente toquei com ele em La Paz. O Gus G. ia tocar, e acabou não vindo para a turnê, porque era uma turnê de apenas dois shows, provavelmente não valia a pena pra ele. Mas aí o kiko entrou no lugar, para aprender algumas musicas. Uma comigo, Geoff Tate e Vinny Appice estavam tocando.
E acho que foram umas duas músicas que a gente fez com o Geoff Tate. Eu acabei conhecendo o Geoff, foi ótimo, ele era meu colega de viagem, a gente voou juntos. Então viramos bons amigos, eu acabei escrevendo algumas músicas para os álbuns dele, os álbuns solo que ele fez. Depois disso! Por estar no mesmo lugar, ele perguntou "você escreve?" e eu disse que sim. Então acabamos escrevendo músicas juntos, o que foi legal.
Mas Kiko, tocar com o Kiko... Eu comecei a tocar com ele, perguntei o que ele estava fazendo e ele disse "eu recém mudei para os Estados Unidos para tentar talvez conseguir trabalhos maiores" e eu falei "Jesus, melhor eu pegar o telefone desse cara". E eu peguei. E isso eu acho que foi em novembro de 2014. E literalmente quando eu estava lá o Dave me ligou e ele estava sendo pressionado pelos empresários a reunir a formação do Rust In Peace.
E eu disse "cara, a gente não vai fazer nada até..." porque eles queriam lançar uma nota à imprensa, e eu disse "sem chance!". Em primeiro lugar nós tínhamos que ver se Marty sequer queria fazer, porque Marty claramente seguiu em frente. Porque eu e ele continuamos amigos e ele claramente não queria mais fazer a música do Megadeth. E Nick que, é claro, ainda estava vivo na época, ele passava por alguns problemas físicos, sabe? Eu fui quem disse "olha, a gente precisa se reunir e fazer uma jam e ver se, primeiro, conseguimos fazer boa música juntos", e segundo, se a gente sequer gosta um do outro, sabe...
Pra tentar acertar de novo. Nós nos reunimos com Nick e era possível ver que apenas não estava mais lá. Sem desrespeito ao Nick, ele tocou bem em algumas coisas, mas a gente podia ver que provavelmente não ia acontecer. Você notaria que era algo sendo feito por forças externas, não era algo que estava acontecendo organicamente e por amor a fazer isso, era uma proposta de negócios. E essa é sempre a forma errada de fazer essas coisas. Então, não funcionou. Foi o fim disso e algumas semanas depois, Chris Adler ajudou a conseguir um novo empresariamento para o Megadeth.
E Dave me ligou um dia, acho que foi em janeiro ou fevereiro de 2015, uns meses após a jam com Nick e disse "Hey, eu achei nosso novo guitarrista" e eu perguntei "mesmo?" E é interessante que de novo voltou para mim e Dave, remontar o Megadeth, certo? Em 2015. Eu, Dave e o empresário, reconstruindo a banda novamente.
O que eu achei meio doce e charmoso, se quiser saber a verdade. Tipo, depois de toda a merda que passamos, aqui estamos, você e eu, mais uma vez remontando a nossa banda. Então ele me ligou pra falar do kiko e eu disse "Eu conheço o Kiko", ele pergunta "Conhece?" E eu "sim, eu toquei com ele em novembro na América do Sul, eu tenho o contato dele. Você quer que eu contate ele pra você?" E ele disse "Sim, se você puder". E então eu fiz.
Ele tinha recém chegado em casa de uma turnê do Angra e estava na verdade meio doente. Ele disse que tinha recém chegado em casa e eu falei "bom... quer entrar no Megadeth?" E a verdade é que Dave já havia decidido que ele estaria na banda. É como entrar na Máfia, "você está dentro!". Eu disse "faça três vídeos se puder e nos envie", eu nem acho que Dave se importou, Dave levou ele para Nashville imediatamente e eles criaram uma boa amizade musical juntos. Por causa disso, Kiko é um cara muito musical.
Então foi isso, foi como começou. E Chris Adler disse "se vocês não conseguirem encontrar um baterista, eu adoraria tocar em um álbum do Megadeth, eu estou aqui para ajudar", e foi assim que ele tocou no Dystopia. E aí nos meses seguintes chegamos ao álbum Dystopia. Esses foram bons tempos, foi muito divertido, essa soou como uma banda de quatro rockstars. Realmente era legal. Porque o Adler é super engraçado, muito charmoso e obviamente um rockstar. Kiko a mesma coisa, muito tranquilo, não tinha que sempre ser o centro da atenção...
Eu lembro um dia que ele entrou no estúdio e estávamos trabalhando em uma linha de baixo e tinha uma nota que estávamos decidindo entre um dó ou dó sustenido, algo assim. E Kiko entrou, sem ouvir nada antes, e diz "isso é um dó sustenido". Porque ele podia ver eu e Dave deliberando sobre que nota deveria ser, e ele diz "é um dó sustenido". Simples assim.
E apenas isso, pra mim, define o Kiko. Apenas entrar e saber a coisa certa a se fazer e eu acho que isso diz muito sobre o seu caráter, musicalidade. E quando eu vi que ele estava nas manchetes e páginas frontais de jornais por entrar no Megadeth e por ganhar um Grammy eu pensei "quer saber? Isso foi merecido". Ele verdadeiramente é uma das joias reais da música do Brasil".
Confira a entrevista completa aqui:
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