Música: O que é isso, afinal?
Por Karina Gonçalves de Moraes Lacerda
Postado em 04 de fevereiro de 2018
Desde quando comecei a escutar gêneros musicais como rock, jazz, heavy metal e erudito, esta pergunta vem rondando a minha cabeça. Quase 30 anos depois, concluo que achar esta resposta não é tarefa nada simples. Música é muito mais do que ritmo, harmonia e melodia. Música também é paixão, alma e filosofia de vida.
A música aparece nas mais diversas e importantes manifestações da cultura e comportamento humanos: literatura, política, ciências, esportes, religião e moda, por exemplo. Além disso, desde o surgimento dos primeiros meios de comunicação de massa transmissores de som e imagem (rádio e TV, mais especificamente), ela vem marcando presença também (e cada vez mais) no mercado de consumo.
É válido, portanto, que o estudante ou apreciador de música não seja estritamente técnico ao escutá-la, pois a compreensão de uma determinada obra artística se torna mais completa e profunda quando levamos em conta os aspectos sociológicos, políticos e culturais da época e local em que foi composta. O que quero dizer com isso tudo é que o extremo rigor no julgamento artístico faria com que grandes canções tivessem sua importância reduzida apenas por serem desprovidas de "virtuosismos". Traduzindo: Não precisa ser complicado para ser bom e bem feito.
Um dos maiores riffs da história é o refrão de "We Will Rock You", do QUEEN.
Considerando tudo o que está dito acima, vamos falar agora, superficialmente, sobre alguns dos elementos que estão diretamente relacionados com o conceito de música:
Música é arte: Antes de mais nada, a música é considerada uma manifestação artística, isto é, uma atividade criativa que expressa ideias, sentimentos e valores humanos. Há muita discussão em torno dos elementos básicos de uma obra musical, mas é quase um consenso que esta manifestação artístico-criativa se dá pela utilização de um sistema de sons e silêncios.
Música é entretenimento: Embora o aprendizado e a prática musical exijam muita dedicação e estudo, algumas das principais finalidades da música são simplesmente diversão e distração. E isso vale para quem canta, toca e escuta, ou mesmo para quem apenas curte.
Sobre a relação música + entretenimento, NEIL PEART fala, na letra de "Superconductor", do álbum "Presto", sobre como a natureza da fama afeta as pessoas. Confira:
package the illusion of persona (guarde a ilusão da personagem)
careful to conceal (com cuidado para ocultar)
the fact that she's only too real (o fato de que ela é pura realidade)
she's got to screen it (ela precisa esconder isso)
DICA n. 01 - Leia a análise completa desta canção no site abaixo:
http://rushfaclubebr.blogspot.com.br/2006/01/superconductor.html
Música é identidade: Podemos dizer muito sobre o modo de pensar e de viver de uma pessoa apenas sabendo o tipo de música que ela ouve. O lado negativo disso é que o radicalismo pode levar a preconceitos infundados, a ponto de algumas pessoas se forçarem a dizer que gostam ou odeiam determinado estilo musical apenas para serem aceitos em determinados grupos sociais, assim como a desprezar intelectualmente outras pessoas que não gostem de estilos supostamente "mais elaborados". Mas este é um tema muitíssimo polêmico, então vamos deixar para tratar melhor disso em um próximo artigo.
Música é ciência: Objeto de estudo e teses acadêmicas, a música passou a ser ciência, com todas as classificações próprias de uma área do conhecimento humano.
Antonio Pietroforte estudou a capa de "Dark Side of the Moon", do PINK FLOYD, no trabalho "Análise do texto visual: a construção da imagem."
Música é comunicação: Uma vez que se utiliza de sons e silêncios para exprimir ideias, sentimentos e valores, a música também é uma forma de comunicação (não é a toa, aliás, que é definida como "linguagem universal").
A perturbadora "4 minutos e 33 segundos", do compositor erudito JOHN CAGE, trilha sonora bastante adequada para ouvir (ou melhor, não ouvir), enquanto refletimos sobre questões artístico-existenciais
DICA n. 02 – leia, se tiver tempo, o artigo que a musicista Juciane dos Santos Cavalheiro escreveu sobre a música "4 minutos e 33 segundos":
http://alb.com.br/arquivo-morto/edicoes_anteriores/anais16/sem14pdf/sm14ss04_08.pdf
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