Black Metal: A capa mais "true" e o que ela diz sobre a música atual
Por Diogo Azzevedo
Postado em 30 de novembro de 2017
Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer aos fãs de Manowar que eventualmente se ressentiram com o artigo publicado aqui recentemente (vide link abaixo) que nunca foi meu intuito ofender qualquer minoria, e aproveito para lembrar que este é um site colaborativo; portanto, quem quiser ler apenas odes à sua banda do coração, seja ela qual for, basta colocar em prática aquela regrinha básica do punk, mesmo se for alguém 100% metal: faça você mesmo.
Agora, vamos ao que interessa. Naquele mesmo texto, eu também versava sobre como o metal se leva a sério demais, e quão salutar é quando surgem bandas que escracham essa sisudez ensaiada. E em termos de avacalhação, poucos poderão igualar o feito protagonizado por Dane Cross, o sujeito por trás do Sacred Son.
Lançado de forma independente em agosto deste ano, o debut EP da one-man band inglesa traz uma das capas mais provocativas da história do black metal. Ignorando qualquer padrão visual do estilo, Dane posa sorridente, de cara limpa, óculos de sol e camiseta, numa típica foto de viagem de férias; acima, o logotipo quase indecifrável do Sacred Son. Se os "verdadeiros" fãs apregoam que o black metal é sinônimo de subversão, então nada pode ser mais "true" do que isso, certo?
Também temos que admitir que o cara é um gênio da autopromoção. Seja numa vitrine ou em buscas pela internet, sua obra acaba se destacando no meio de um mar de mesmice, além de atrair o interesse até de publicações mainstream como a Kerrang. Surpreende ainda mais quando constatamos a excelência da música do Sacred Son, um dos melhores registros de metal extremo de 2017, provando que não se trata de simples zoeira ou propaganda enganosa – tanto que uma tiragem limitada do CD se esgotou rapidamente e Dane ainda conseguiu bancar uma edição em vinil 12" (masterizada por James Plotkin) via crowdfunding. Não é pouca coisa, se tratando de uma banda estreante.
Estamos no meio de uma transformação, e ainda não sabemos aonde a música, independentemente do gênero, vai parar. O Sacred Son, com sua capinha tosca e nonsense, traduz perfeitamente o zeitgeist – são tempos estranhos, em que pessoas vão a shows apenas para tirar selfies ou gravar vídeos com o celular, ou pior, pagam para assistir à performance de um holograma. Ruim para quem faz e gosta de música. De qualquer forma, deve ser mais interessante conferir uma projeção tridimensional do Dio do que ver um "show" de contação de história – algo do tipo "nossa banda foi formada em Asgard com a missão de destruir os falsos e propagar o verdadeiro metal por todo o universo". Se a plateia não levar a sério, tudo bem.
Comente: Quão salutar é quando surgem bandas que escracham essa sisudez ensaiada?
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A melhor música de todos os tempos, na opinião de Tarja Turunen
A música que fez James Hetfield sair da zona de conforto como vocalista
Slash elege os 10 maiores riffs de guitarra de todos os tempos
A música "numero 1" do AC/DC, na opinião de Angus Young
Pophouse adquire parte dos direitos musicais, de imagem e nome do Iron Maiden
O conselho de John Lennon que até hoje Mick Jagger lamenta ter seguido
A rixa de Cobain e Novoselic: "Você está colocando essa merda fedorenta na música"
Mick Jagger relembra onde estava em 1966, quando a Inglaterra venceu sua única Copa do Mundo
Mastodon oficializa nova formação, que conta com músico brasileiro
5 músicas que fazem o metaleiro olhar para o amigo e dizer: "Agora ficou sério"
5 músicas que quando tocam no show todo fã de metal entra no mosh na hora
Jason Newsted reconhece ter caído em "depressão severa" com diagnóstico de câncer
A banda que antecipou o Van Halen e quase virou o Led Zeppelin dos EUA
A banda que bateu um recorde dos Beatles e afundou em poucos anos
O disco que Paul McCartney considerava um fiasco até David Bowie fazê-lo cair na real

As emoções que uma música desperta merecem mais atenção que qualquer crítico ou "influencer"
As bandas de heavy metal nem sempre farão a mesma coisa (e isso não é ruim)
Megadeth, Pepeu Gomes e a mania do internauta achar que sabe de tudo
O problema não é usar celular em shows, mas sim fiscalizar os outros
Lobão: a defesa do roqueiro solitário
Preconceito: dificuldades de ser roqueiro em cidade do interior


