Ronnie James Dio: O vocalista que criou um estilo de ser Heavy Metal

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Por Rodrigo Contrera
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Quase podemos afirmar que todos gostam de Dio, de Ronnie James Dio. Pouco importa seu tamanho minúsculo, sua ênfase em tramas mitológicas (que não conversam com todos), sua "disputa" com Ozzy para ver quem foi o maioral do Black Sabbath, cada um em sua época. Todos gostam de Dio como todos gostam de metal. Porque Dio parece ter criado uma tal marca em estilo de cantar, de se postar no palco, de soltar a mão com os chifrinhos, e em se colocar aparentemente acima de qualquer disputa que é impossível deixar de gostar dele. Ainda mais por ter se ido como foi, por ter deixado um legado de bons exemplos, e por ter deixado tantos bons amigos (como o Lemmy, por exemplo).

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Meu gosto pelo baixinho começou cedo, desde aqueles vídeos que, a partir da década de 80, mostravam um sujeito pequeno, feinho, aparentemente folgado, fingindo ser guerreiro, homem das trevas, alguém imiscuído com outros universos, outras formas de entender o mundo, relacionadas com mágica, com sentidos escondidos ou recônditos, com mistérios de dragões e novos mundos. Mas essa imagem, Dio acumulou com o tempo. No começo, ele "apenas" cantava em meio a uma Londres feia e suja, com guitarristas cabeludos e não muito bem encarados, músicas e canções que pareciam primar pela técnica e vídeos que às vezes nos deixavam meio desconcertados pelo caráter patético de alguns de seus personagens (como em Rainbow to the Dark). Dio era um sujeito, já em meio de carreira, que fazia uma imagem, imagem essa que foi se consolidando com o tempo.

Qualquer um que acesse o Google ou a Wikipedia descobre facilmente a trajetória do sujeito. Quando entrou no Black Sabbath para substituir o Ozzy, quando começou carreira solo e tudo mais. Nada disso é segredo, tudo é absolutamente claro, e hoje, tudo é história. Mas Dio foi mais que sua trajetória. Dio meio que conjugou o ideal de um heavy metal, ou um hard rock bonito e bem trabalhado, com a ideia de haverem novos mundos por aí a explorar e explicar, com a ideia da mágica a nortear nossas vidas, com um relacionamento mais etéreo com o real, algo que ele transmutava em seus discos cheios de simbologia e histórias (algumas quase intermináveis e, para alguns, bastante chatas). Mas por cima de tudo isso havia seu vocal. Uma voz aparentemente inesgotável que ele manteve quase até o fim, quando foi diagnosticado com câncer. Uma voz que parecia vir das profundezas, e que para muitos é inigualável.

Acontece que meu foco na voz de Dio veio tarde. Veio com Angry Machines, por exemplo, CD não muito bem cotado em sua longa discografia. Ou com Magica, CD ainda menos bem cotado, por contar com histórias intermináveis (essas que citei en passant) sobre mundos que pareciam interessar a muito poucas pessoas. E nem contou com Holy Diver, um de seus grandes CDs, que deixou diversos clássicos para a história. Porque eu nunca soube como pesquisar na história de Dio, e ficava então com essas influências, que passaram contudo a valer tanto para mim que hoje são praticamente as únicas que me restam. E - confesso - tenho receio de procurar mais. Pois é nesses poucos CDs que encontro o Dio que me agrada. É nesses pequenos e parcos exemplos de técnica e virtuosismo que me contento com o Dio de minha vida, que de vez em quando canto, quando tenho tempo e fôlego (houve época em que ele era o meu favorito para cantar a plenos pulmões). Porque cada um pega para si o Dio que quer. Porque cada um assume para si as influências que quer do Dio que deixou tamanha marca no metal que ainda hoje, passados vários anos de sua morte, não é esquecido.

Porque, sem querer blasfemar, Dio fez meio que um par com Deus. Jamais é esquecido.




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Sobre Rodrigo Contrera

Rodrigo Contrera, 48 anos, separado, é jornalista, estudioso de política, Filosofia, rock e religião, sendo formado em Jornalismo, Filosofia e com pós (sem defesa de tese) em Ciência Política. Nasceu no Chile, viu o golpe de 1973, começou a gostar realmente de rock e de heavy metal com o Iron Maiden, e hoje tem um gosto bastante eclético e mutante. Gosta mais de ouvir do que de falar, mas escreve muito - para se comunicar. A maioria dos seus textos no Whiplash são convites disfarçados para ler as histórias de outros fãs, assim como para ter acesso a viagens internas nesse universo chamado rock. Gosta muito ainda do Iron Maiden, mas suas preferências são o rock instrumental, o Motörhead, e coisas velhas-novas. Tem autorização do filho do Lemmy para "tocar" uma peça com base em sua autobiografia, e está aos poucos levando o projeto adiante.

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