Heavy metal: Da libertação à caixa fechada
Por Leonardo Luís dos Santos
Postado em 24 de julho de 2015
É do conhecimento de todos os fãs do gênero de que o heavy metal quando fora criado pelos britânicos do Black Sabbath, o que realmente contava era a liberdade. Liberdade de composição, expressão, pensamento etc. Esta roupagem, inclusive, vestira os adeptos da nova música londrina que a cada dia questionavam e opinavam mais. Tudo que tenha a ver com liberdade, está intrínseco ao heavy metal.
Hoje, o que se vê é totalmente o oposto. Basta traçar um paralelo com a política e classificar ditadura e democracia (aos cientistas políticos do face, isto não uma tese política, apenas exemplo), que não outra forma a não ser enquadrar o heavy metal como ditadura. Motivos simples:
1 – Há um comportamento sustentando o heavy metal atual, no qual deve-se seguir uma pequena cartilha imposta pela turma maléfica. Esta cartilha é bem clara e simples: opiniões contrárias não são bem-vindas, todos são donos da verdade e o resto que vá para Valhala. O que não é heavy metal não presta, pois o som é de qualidade superior a qualquer suspiro musical inventado no mundo nos últimos 50 bilhões de anos.
2 – Nacionalismo exagerado: direto ouve-se a seguinte frase: "o cara paga pau pra gringo, não apoia a cena, bla bla, bla"... Normalmente quem diz isso, afirma que o heavy metal é um som globalizado, portanto, não há espaço pra esta besteira. O que importa é a musicalidade, não nacionalidade. Em breve, haverá a seguinte frase: "heavy metal nacional, ame ou deixe-o". Não é de se duvidar.
3 – Para ficar entre os maiorais: esta aqui é até legal, porque envolve uma série de costumes "inteligntes" propagados por vários. Vamos lá: é preciso afirmar com todas as letras que o Iron Maiden acabou, o thrash metal não é mais o mesmo, o Slayer já era... Por outro lado dizem: Ghost é perfeito, a banda que faltava para mostrar a evolução do estilo, qualidade etc. Não criticando quem curte o fantasminha, mas pera lá! Impor que é a melhor da atualidade, é demais, amiguinho troo. Uma clara mostra de que marketing e visual salvam uma vida.
4 – A ironia metal: "haters gonna hate". Esta supera tudo, pois é de uma inutilidade que dá medo. Tal aforismo é utilizado, principalmente na internet, quando alguém discorda de alguma opinião que envolva bandas novas. Não preciso citá-las. Enfim, a clara manifestação de autoritarismo que permeia toda a cena.
Daria para escrever um livro que relata o assunto, tamanha a situação periclitante que envolve o tema. O heavy metal não acaba, porque há muita, mas muita banda boa espalhada pelo mundo (ops! Não falei Brasil, vou morrer). Porém, pelo comportamento de alguns "fãs", já era para estar no ostracismo. Muita pose, e pouca atitude, muita treta e pouca união.
A ditadura do heavy metal o colocou numa caixa hermeticamente fechada, da qual parece que não sairá tão cedo, infelizmente. Opiniões diferentes existem e fazem bem. Respeitá-las, mais ainda. Não importa qual é a sua banda preferida, apenas ouça, vá a shows, quando der; compre matérias e respeite quem não tem o mesmo gosto que o seu. Isso poderá levar o som à plenitude da liberdade e tirará o clima "revista veja" da cena; impulsionará a todos a reviver as origens do estilo e exterminar a chatice atual.
Enquanto o Papa segue quebrando dogmas, o metaleiro, a cada dia que passa, torna-se mais reacionário.
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