"Quase Famosos": a importância do crítico de música

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Por Fábio Cavalcanti
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Qualquer roqueiro/cinéfilo que se preze já deve ter assistido ou ouvido falar em "Quase Famosos" (2000), uma adorável película do competente diretor Cameron Crowe sobre o mundo do rock. Elogiado tanto por críticos de cinema quanto por críticos de música, o filme é mais do que apenas uma comédia dramática típica de uma Sessão da Tarde da vida... Afinal, acima de todos os seus detalhes e pequenas mensagens implícitas, há uma pergunta intimamente ligada ao seu roteiro: "Qual é a importância do crítico de música?".

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Como deu pra perceber, não farei aqui a milésima resenha de um filme já devidamente esmiuçado por redatores mais especializados em cinema. Quero apenas responder a supracitada pergunta sobre a importância do crítico de música, ainda mais em uma era que mistura no mesmo pacote - e de forma um tanto paradoxal - a liberdade de expressão desenfreada com a censura gerada pelo fanatismo e falso moralismo.

Se você prestar muita atenção em qualquer discussão sobre grandes bandas, iniciada em sites ou comunidades de rock em geral, verá uma dose de 'xiitismo' que nos faz pensar por um momento se vale a pena continuar em uma "tribo" que possui uma quantidade maior de cabeças-de-vento do que de seres pensantes. Em um cenário desses, é claro que o crítico de música se torna fundamental!

Voltando ao filme, há cenas marcantes sobre o assunto, como aquela em que o jovem crítico William Miller é orientado pelo lendário crítico Lester Bangs a não se deixar levar pela falsa amizade oferecida pela banda que estiver sendo resenhada (algo que acontece até hoje). O que falar então do apelido "O Inimigo", que William recebe "carinhosamente" do Stillwater, a banda protagonista do filme? São pequenas alfinetadas narrativas como essas que mostram a real de que o crítico, acima de tudo, é um "inimigo" mais do que útil a qualquer banda!

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No mundo da música, as pessoas devem lembrar que é importante ouvir/ler todo tipo de opinião, e que tais opiniões devem ser bem fundamentadas, como aquelas vindas de... um crítico! Isso não apenas estimula o cérebro do ouvinte, de tal forma que este se acostume com todos os detalhes e nuances que uma música (boa ou ruim) pode oferecer, como também estimula as bandas a refletirem sobre seu direcionamento musical - afinal, arte não é apenas o músico fazer o que bem entende, mas sim pensar um pouco no que ocorre seu redor, misturar tais observações com suas próprias visões, e então gerar uma obra digna e única.

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É bem verdade que o ser humano possui um lado agressivo e irracional. E é bem verdade que o rock é um estilo "monolítico" em muitos aspectos. Mas, isso não quer dizer que devemos deixar aquela música vibrante servir como uma espécie de pedrada na cabeça, que nos deixe incapacitados de pensar - e refletir - antes de entrar em qualquer discussão sobre esse maravilhoso estilo. Nesse sentido, o filme em questão ainda mostra, nas entrelinhas, que não devemos levar nada tão a sério... inclusive críticas negativas cheias de acidez!

Por fim, o ato de relembrar da mensagem mais bacana de "Quase Famosos" é uma boa forma de nos tornarmos mais inteligentes do que os integrantes daquela tal banda fictícia Stillwater, que acabou afundando no seu próprio oceano (com o perdão do trocadilho) graças à sua falta de autocrítica e falta de respeito ao simpático e visionário crítico William Miller. E se você é um músico, e está lendo isso aqui agora, tenha cuidado, pois o mesmo pode acontecer com você!




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Sobre Fábio Cavalcanti

Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.

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