Cenário musical: material físico ou digital?

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Por Pedro Humangous, Fonte: Hell Divine Magazine
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Muito já se falou sobre a pirataria e seus males pra quem pertence à indústria da música e dos benefícios para quem consome o produto final. Mas minha questão não entra nesse mérito, já bastante debatido e de certa forma desgastado.

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Se tratando de Heavy Metal, não creio que o maior inimigo das gravadoras e lojistas seja a pirataria, afinal, não encontramos nas ruas álbuns de Black Metal por exemplo. A questão aqui é o arquivo digital, compartilhado entre nós pela rede mundial de computadores, a internet. Antigamente, na época do vinil, um indivíduo comprava sua versão original e depois espalhava para os amigos que faziam suas cópias em fitas K7.

O que acontece hoje em dia é basicamente a mesma coisa, logicamente em proporções muito maiores. A pessoa compra o lançamento de uma banda e resolve colocar em seu blog o link para que mais pessoas possam ter acesso àquela música. Isso não caracteriza pirataria, pois nenhum produto está sendo vendido de forma ilegal, e sim compartilhado como era feito há alguns anos atrás.

Se temos à nossa disposição todo e qualquer tipo música na rede e de graça, por que alguém em sã consciência iria querer comprar um CD original? Essa é a pergunta que ainda me faço quando chego ao caixa com alguns CDs na mão pelo menos uma vez por mês. Sim, eu ainda compro (e muitos) álbuns originais. Muitos me chamam de louco ou mesmo de trouxa por gastar dinheiro em algo que se pode ter a custo zero.

Mas é aí que entra minha verdadeira questão: Por que não comprar? Tudo bem, o preço não é convidativo. Mas e a emoção de abrir o plastiquinho da embalagem com toda aquela dificuldade, cheio de ansiedade? E o cheiro do encarte? Isso não tem preço! Como é bom poder ler as letras enquanto ouço as músicas com calma. Saber quem produziu, quem fez a capa, o cuidado com a parte estética, os agradecimentos, etc. Tem aquele velho ritual de chegar na sua prateleira de CDs e escolher a dedo qual deles ouvir, separar com cuidado e colocar pra tocar no som do quarto no volume máximo! Todo esse charme e encanto meio que se foram com a chegada do MP3.

É legal ter acesso a tudo, a qualquer hora? Com certeza sim! Mas creio que isso seja interessante pra conhecer o som das bandas e posteriormente comprar o material original. A música, a meu ver, está ficando banalizada e perdendo seu verdadeiro valor. Ouve-se de tudo um pouco, mas no fundo não se conhece nada. Enchemos nosso HD com milhares de bandas que nunca ouvimos mais de uma vez. Saímos por aí ouvindo músicas no modo shuffle do Ipod...Talvez eu esteja completamente errado, talvez eu seja um jovem antiquado, mas essa é minha visão.

Pesquisas indicam que fãs da música pesada são os mais fiéis, e ainda compram material físico de suas bandas prediletas. Segundo Ricardo Campos, "O Heavy Metal é um dos estilos onde marcam presença os fãs mais ardorosos, que encaram a música que ouvem como algo além de uma simples diversão, caracterizando-a como um verdadeiro modo de vida, quase uma religião." Talvez esteja aí a resposta para a primeira afirmação desse parágrafo.

O Brasil infelizmente sofre de uma discrepância social cruel, se tornando muito difícil o consumo constante desse material original, fazendo com que as vendas caiam vertiginosamente, formando assim uma cena fraca e de certa forma pobre.

Muita coisa boa não é lançada nesse país, e, portanto temos que recorrer aos importados, pagando uma verdadeira fortuna. E se o preço dos CDs fosse em torno de 10, 15 reais? Será que assim as vendas poderiam subir? Se tivéssemos acesso a mais quantidade de títulos com a mesma qualidade com o que vemos lá fora? Talvez a coisa mudasse bastante.

Muito se falou da morte do Metal, da morte do CD. Não creio nessa tendência, mas muita coisa deve mudar para que cheguemos num formato comum, que seja bom para todos os envolvidos.

A verdade é que o Metal é um estilo marginalizado, mas que vem ganhando cada vez mais espaço mundo afora. Ainda estamos longe do ideal, mas é nos unindo que a coisa vai pra frente e com força total! Contem comigo!




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Sobre Pedro Humangous

Pedro Humangous, 28 anos, publicitário headbanger. Dono e editor chefe da revista Hell Divine. Santista apaixonado por música e uma boa cerveja. Atualmente reside em Brasília e não poupa esforços para fazer o metal se fortalecer no país. Já colaborou com as revistas portuguesas Versus e Horns Up, além da coluna "Rolo Compressor" na rádio Nucleo Base. Colecionador de CD's, DVD's, Livros e Action Figures, concentra suas forças no metal extremo, sem deixar de lado os demais estilos. Fanático por Opeth, Iron Maiden, Trivium, Kreator, Dream Theater, Baroness, Suicide Silence, entre tantas outras. Siga: @PedroHumangous

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