A defasagem do mercado do metal brasileiro, segundo produtor que mora nos EUA
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de novembro de 2025
O produtor Milton Mendonça, brasileiro radicado nos Estados Unidos e um dos responsáveis pelo renomado festival ProgPower USA, fez uma análise contundente sobre os principais entraves do mercado de metal no Brasil. Conhecido por trabalhar com bandas nacionais como a Maestrick, Mendonça falou sobre os desafios de profissionalismo, mentalidade e postura das bandas brasileiras em entrevista recente ao Ibagenscast.
Segundo ele, há um problema estrutural e de mentalidade que impede o crescimento da cena nacional. "Eu já notei que tem muita banda brasileira que está presa na mentalidade de banda brasileira, porque estão acostumadas com o mercado do Brasil. A régua da cena de metal no Brasil é muito baixa comparada ao resto do mundo", afirmou o produtor.

Para Mendonça, o principal erro está em não entender como funciona a indústria global. "Uma banda que foca só no Brasil, eu passo longe. O mercado brasileiro não representa a indústria musical do mundo. Se a banda não tiver interesse em aprender como as coisas funcionam fora do Brasil, já não vale a pena, porque eu não tenho tempo nem paciência para ensinar essas coisas", declarou.
Ele também criticou a falta de profissionalismo em detalhes básicos, que vão desde a comunicação até a produção artística. "Tem banda que lança disco com capa feita por inteligência artificial. Para mim, isso já é um red flag enorme. Se você não quer pagar um artista para fazer a arte do seu álbum, já começou errado. Outra coisa: quer contrato com gravadora? Vai precisar dar entrevistas, lidar com imprensa, falar inglês. Se o inglês não aguenta, não tá na hora", pontuou.
O produtor, que atua há anos como ponte entre bandas brasileiras e o mercado internacional, destacou ainda a importância de abandonar o complexo de vira-lata. "Muita banda no Brasil pensa: 'A gente nunca vai fazer um disco tão bom quanto o pessoal lá de fora porque somos do Brasil'. Isso é um desserviço à própria arte. Você não tem que ser uma banda nacional, você tem que ser uma banda de metal, ponto", concluiu Mendonça.
Ao ser questionado se novas bandas brasileiras poderão atingir o mesmo reconhecimento mundial de Angra e Sepultura, Mendonça foi direto - e um tanto crítico. "Depende de todos", respondeu. "Vamos continuar fazendo 649 tributos ao André Matos... Daqui a pouco vão tentar tirar o caixão dele para levar para o palco. Tá ridículo, um absurdo", desabafou, demonstrando frustração com a falta de renovação na cena.
Confira a entrevista completa abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Astros do rock e metal unem forças em tributo ao Deep Purple
5 músicas de metal que ou você ama de paixão ou odeia com todas as forças
A canção barra pesada demais para as lojas que os Rolling Stones decidiram bancar
Tony Iommi confirma que vai remixar um dos álbuns mais criticados do Black Sabbath
O melhor baterista de todos os tempos, segundo David Gilmour do Pink Floyd
A queixa que Tony Iommi ouviu de Ozzy Osbourne na véspera da morte do cantor
Tobias Forge desabafa sobre pressão e não garante que o Ghost voltará
A razão que levou Brian May a recusar tocar em mais faixas do álbum de Tony Iommi
O baterista que disse não ao Led Zeppelin e percebeu tarde demais o tamanho do erro
Tears for Fears anuncia reedição deluxe do álbum "The Seeds of Love"
Angra celebra 30 anos de "Holy Land" com primeira edição do álbum em vinil
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
Os 20 piores discos da história do rock and roll, segundo a Classic Rock
O músico que foi retirar cem reais da conta e descobriu que tinha 100 mil
Wolf Hoffmann diz que não se lembrava de música do Accept regravada por Tobias Forge
A banda brasileira que está seguindo passos de Angra e Sepultura, segundo produtor
Seether é mais uma banda que abandonará o formato de álbuns
Sorte: homem acha 2 discos de vinil em sebo e fatura R$42 mil


