Identidade Musical: O Mal de Sua Ausência

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Por Marcos Garcia
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Um dos primeiros documentos que o ser humano vem a ter em sua vida é a certidão de nascimento, que mais tarde é substituída pela famosa Carteira de Identidade, provando que a pessoa realmente existe, e que esta é um ser único, não existindo outra igual. O documento referido seria uma macro-projeção do que está presente em seu DNA, e mais particularmente ainda, em sua essência.

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Transpondo isso para a música, e mais especificamente ao Rock/Heavy Metal, vemos que muitas bandas andam caindo justamente neste ponto: na falta de uma essência própria, ou seja, na ausência de uma identidade sonora.

Tal fator pode ser causado devido ao músico que vem depois receber uma carga de influências musicais bem fortes de seus antecessores, e muitos não conseguem se afastar dessas. Um exemplo teórico para ilustrar o que eu digo: Tanto IRON MAIDEN quanto o BLACK SABBATH são bandas de Heavy Metal Tradicional, ambas possuem músicos muito bons e referências para as futuras gerações, sua música é pesada e melodiosa. Mas isso tornaria a equação BLACK SABBATH = IRON MAIDEN verdadeira, ou seja, o IRON MAIDEN, por ser a mais jovem, seria uma cópia xerocada do BLACK SABBATH.

Não, um milhão de vezes não, um 10³ x 10³ de vezes NÃO! Ambas tem elementos em sua música que as diferencia, ao ponto de qualquer um que ouça o trabalho de uma e da outra pode perceber que o IRON MAIDEN não é um clone do BLACK SABBATH, e ponto final!

Outro exemplo um pouco mais difícil: HELLHAMMER e DARKTHRONE.
A sonoridade de ambas as bandas é muito similar, aparentando muitas vezes que o próprio Tom Gabriel Warrior teria afinado as guitarras de Nocturno Culto. Mas as semelhanças param por aí, pois ambas as bandas possuem diferenças um pouco mais sutis, é verdade, mas ambas tem diferenças, ou seja, ambas tem personalidade.

A diferença entre cada um dos exemplos é bem intrínseca: as mais jovens, obviamente, tiveram influência musical bem marcante das primeiras, mas essas se permitiram incorporar elementos próprios, ou seja, a soprar vida à sua música. Sendo objetivo: dotaram-na de identidade.

Mas será que a solução é o fim das mesmas?

Bandas com falta de personalidade devem, antes de tudo, receber de braços abertos críticas construtivas, sem se deixar abater e ensaiar mais, pois muitas vezes, o problema está na falta do tempo devido na garagem. E se faz necessário uma reflexão simples: será que os membros assim são tão carentes de personalidade que precisam viver sob a sombra de seus ídolos?

Um problema pode ser ouvir de bocas erradas o tradicional ‘vocês são ótimos’, quando na realidade, quem fala a frase diz mais como amigo do que como fã, ou seja, o cara vai pagar pelo CD de uma banda consagrada, e mesmo que pague pelo trabalho de sua banda, é coisa de amigo, e nunca de fã. Se você pensa apenas no dinheiro, continue, mas estará se iludindo, e ilusões, a longo prazo, acabam, de um jeito ou de outro.

Outro ponto é a falta de estudo do instrumento que toca, a falta de domínio do mesmo, e nas palavras de um amigo meu, ‘ser bom músico não é o suficiente. É preciso estudar a técnica que está por trás do que está fazendo’, pois somente assim, seu potencial total poderá surgir.

Agora, pode existir outro problema, ainda mais sério, e que não creio tenha como corrigir: a incapacidade da pessoa pôr em música algo de si, ou seja, ele pode ser um novo Steve Harris, Yngwie Malmsteen, Neil Peart, Terry ‘Geezer’ Butler, Lemmy Kilminster, James Hetfiled, Dave Mustaine, Tom Warrior, Shagrath, Dani Filth, Max Cavalera, mas nunca será ele mesmo. Simplificando: nunca fará nada de novo, apenas mais do mesmo...

Isso não deveria existir, já que cada pessoa é única, e a música não conhece limites, mas acreditem: infelizmente, existem pessoas assim por aí, sejam elas conscientes de sua triste situação ou não...

Finalizando: BLACK SABBATH, IRON MAIDEN, METALLICA, OZZY OSBOURNE, DIO, SLAYER, SEPULTURA, KRISIUN e outras bandas só se tornaram grande sucesso de público e crítica porque souberam cultivar sua própria personalidade, e qualquer um pode chegar lá, sabendo ter seu próprio som, já que bandas sem identidade, tal qual cópias xerocadas de livros, duram bem menos tempo que as originais...

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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

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