Comebacks: a cruz do saudosismo ou a espada do oportunismo?
Por Marcos Garcia
Postado em 05 de fevereiro de 2011
Bem, nos últimos anos, volta e meia se especula a volta do LED ZEPPELIN, e tal fato é de pleno domínio público. Os membros ventilam na imprensa mundial, vez por outra, a possibilidade, que em uma visão muito particular deste que vos escreve, pode ocorrer na abertura dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, já que Jimmy Page tocou na festa de encerramento da edição de Pequim, em 2008.
Mas será que a banda realmente faria uma boa coisa retornando dos mortos? É justamente um questionamento assim que levou um headbanger de muitos anos a escrever estas linhas...
Primeiramente, por que muitas bandas que já acabaram (e dizem ter voltado) não querem compromisso com aquela velha rotina que todos conhecem de compor/ensaiar/gravar/lançar disco/sair tocando mundo afora, mas usam de um glorioso passado, criado na base de muito esforço e luta, e que tem méritos que não se pode mensurar, apenas para ficarem fazendo shows e mais shows, lançando DVDs e CDs ao vivo, sem nunca gravarem nada de novo, ou seja, sem dizer algo às novas gerações que já não tenham dito antes e, muitas vezes, melhor do que a volta?
Pode aparentar oportunismo em uma época que tais retornos são cada vez mais comuns, embora existam casos e casos... Por exemplo, o retorno do DEEP PURPLE nos anos 80, apesar da volta dos velhos problemas de egos entre seus membros, foi válida, pois a banda lançou trabalhos antológicos de lá para cá. O MERCYFUL FATE também teve saldo positivo, assim como aqui na terra brasilis TAURUS, METALMORPHOSE, ANGEL BUTCHER e outros se negam a ficar sugando as tetas do que já fizeram até secar, lançando discos e mais discos, alguns bons, outros nem tanto, mas o que vale é a tentativa.
Por outro lado, um come back foi extremamente triste: THIN LIZZY. De coração, peço perdão aos fãs, mas a banda, sem seu finado líder, vocalista e baixista Phil Lynott, é algo que parece uma necrofilia de péssimo gosto, pois o próprio Phil, antes de falecer, havia encerrado as atividades com a banda, após uma tour de despedida em 1983. Tudo bem, havia membros de várias formações da banda lá, mas como é dito acima, sem Phil não é THIN LIZZY, tanto que John Sykes foi (e está sendo, pois a banda está na ativa) duramente criticado pelos fãs, com o simples argumento 'Sem Phil, sem THIN LIZZY'...
O tema poderia até ser estendido a bandas que trouxeram de volta membros que já haviam saído e que retornaram do nada, sem uma explicação plausível que não fosse a pressão de fãs que não aceitavam mudanças no time, mesmo quando este já não se aguenta em pé e necessita de sangue novo. Mas é melhor ficar apenas nos que voltaram dos mortos...
No meio da década de 80, na finada revista Metal, Dee Snider, em sua passagem pelo Brasil para divulgar o ‘Stay Hungry’ (não, o TWISTED SISTER não tocou aqui na época. Só Dee veio para conceder entrevistas), fez a seguinte declaração: ‘bandas como o DEEP PURPLE devem morrer!’
Explicando, antes que queiram o fígado alheio (e que a experiência mostra que não será o de Dee Snider que os leitores irão querer): ele disse isso apenas para ilustrar que um gigante do porte do PURPLE poderia eclipsar bandas mais jovens, tirando-lhes oportunidades de mostrar bons trabalhos. E se o leitor analisar friamente, saberá que Dee tinha certa razão na época, pois tudo um dia termina, e com bandas não é diferente. É triste, mas esta é a verdade, embora, por outro lado, quando uma boa banda morre, outra boa banda surge e levará o Metal adiante. É assim desde que o BLACK SABBATH deu início ao estilo (segundo o pensamento de Sam Dunn, autor do documentário ‘Metal: A Headbanger’s Journey’, em que o SABBATH é o pioneiro do Metal, mas o leitor tem todo direito de discordar, pois a origem é incerta).
Ou seja, antes de ficarmos suspirando e ansiando pela volta do ZEPPELIN e de outros ilustres gigantes, o que poderia por muitos motivos ser uma ducha de água fria em qualquer fanático, ou mesmo querer impor a nossa vontade às bandas em manter as coisas (formação e musicalidade) no rumo em que estão, sendo que são elas mesmas que devem escolher o que querem fazer, pois a liberdade de criação no Metal pertence (ou ao menos deveria pertencer) exclusivamente a elas, assim como permanecer em um continuísmo monótono, podemos olhar com mais atenção aos bons trabalhos que pululam no Metal sempre, e ter grandes surpresas.
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