Metallica, Nazareth e o "verbo" Judas
Por Ricardo Santos
Postado em 21 de novembro de 2007
Recentemente, o METALLICA apresentou, num show acústico realizado no Shoreline Amphitheatre da Califórnia, uma nova versão para a música "Please Don’t Judas Me", do NAZARETH.
Surpreendente, talvez, mas certamente com um resultado final muito bom. Aliás, é sempre interessante conhecer releituras de clássicos, sobretudo quando se trata de duas grandes bandas, de diferentes gerações, e, mais ainda, quando se nota que tanto a versão original quanto o cover são de ótima qualidade.
O que tem se notado, além disso, é que esta nova gravação praticamente "ressuscitou" uma música que nunca chegou a ser um dos maiores sucessos do NAZARETH, embora esteja presente em seu mais famoso álbum (Hair of the Dog).
A verdade é que o METALLICA conseguiu despertar o interesse e a curiosidade de muitos sobre esta composição do quarteto escocês. Como resultado, "Please Don’t Judas Me", definitivamente, tornou-se cult. Este fenômeno é confirmado em pesquisas na internet, onde rapidamente percebe-se que esta antiga canção voltou a ser bastante comentada. Importante ressaltar também que ela já vinha sendo objeto de algumas montagens interessantes no youtube, mesclando o áudio da música com trechos de games e desenhos animados. Estas montagens, obviamente, têm sido acessadas com mais freqüência após esta apresentação acústica do METALLICA.
Trata-se, realmente, de uma música muito interessante, em todos os sentidos, e que possui um conteúdo dramático muito grande, inserido em uma melodia muito bem composta.
Mas "Please Don’t Judas Me" não se limita a isto: há nela, também, uma curiosa questão semântica, que merece destaque. É que os autores utilizam um interessante recurso lingüístico, ao "verbalizarem" expressões como "don't number me". A verdadeira inovação na letra da música, todavia, encontra-se já no título da canção, onde o substantivo próprio "Judas" é, claramente, utilizado como se fosse um verbo, com o significado de "trair", ou "vender" ("Por favor, não me traia").
Curiosidades à parte, o mais importante é que a idéia desta nova versão foi muito feliz e, certamente, está rendendo e ainda renderá bons frutos para o METALLICA e também para os veteranos do NAZARETH. Afinal, todos os comentários que têm sido feitos ultimamente, relacionados com esta música, acabam se transformando num marketing interessante para as duas bandas. E isso, é claro, é muito bom, principalmente neste momento em que ambas estão prestes a lançarem novos álbuns de estúdio, com previsão para o 1º trimestre de 2008.
Sobre os novos álbuns - e embarcando um pouco no espírito da letra de "Please Don’t Judas Me" -, vale agora torcer para que METALLICA e NAZARETH não "traiam" a confiança de seus fãs, mas sim que confirmem a expectativa otimista que sempre existe às vésperas de seus novos trabalhos, presenteando o público com álbuns à altura da competência que indiscutivelmente possuem.
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