Virou moda falar mal do Metallica?
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 17 de outubro de 2006
Sim, os caras pisaram muito na bola nos últimos anos. Mas sua importância para a história do heavy metal é absolutamente inegável...
Com o lançamento em DVD do documentário "Some Kind Of Monster", dirigido por Joe Berlinger (de "A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras") e Bruce Sinofsky, os headbangers brazucas têm mais um motivo para detonar o Metallica. Pudera: o filme exibe as feridas abertas de um grupo que, no meio das gravações do criticado "St.Anger", teve que lidar com a reabilitação de seu vocalista contra o alcoolismo e com a saída do baixista Jason Newsted num dos momentos mais críticos da história da banda - que, a partir dali, passou a contar com o apoio de um psicólogo. A piada perfeita estaria pronta, não? Hahahaha, vamos todos apontar os dedos de maneira acusadora e rir do Metallica.
Tsc, tsc, que coisa feia. Ok, ok, é hora de separar o joio do trigo e analisar com a frieza necessária a trajetória da trupe de James Hetfield para evitar transformar o quarteto norte-americano em bode expiatório para todas as mazelas que afligem o metal hoje em dia. Se é para criticar e falar mal, é bom que façamos isso do jeito certo, sem cometer nenhuma injustiça. Vamos aos fatos:
FATO 1: Depois de passarem anos incentivando a troca de gravações piratas de seus shows, em fitas-cassete, pelos fãs, os caras encabeçaram uma campanha contra o MP3 na internet - usando como principal alvo o Napster. Com uma série de ameaças judiciais, o grupo conseguiu tirar a criação do jovem Shawn Fanning do ar (que retornaria num esquema "politicamente correto" anos depois).
Análise: Isso realmente foi terrível. Talvez seja o ato mais condenável da banda em toda a sua história. Sem citar, é claro, as declarações públicas do baterista Lars Ulrich que, por sua arrogância, tornou-se um dos sujeitos mais detestáveis do rock e, na minha modesta opinião, merece ser exilado para sempre na ilha do Tom Hanks em "Náufrago". Voltemos aos fatos.
FATO 2: Ao lado de nomes como o Megadeth (do dissidente Dave Mustaine) e o Anthrax, eles também foram responsáveis, nos anos 80, pela resposta americana ao metal inglês surgido na NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal) e representado por bandas como o Judas Priest e o Iron Maiden. O metal ficou mais sujo, mais furioso, mais pesado, mais virulento, mais gritado... mais thrash.
Análise: Quanto a isso, nenhuma dúvida. E só por isso, o Metallica já merece um mínimo de respeito.
FATO 3: O Metallica lançou, no começo da década de 90, o disco chamado de "Black Album", que pasteurizou o estilo e abriu as portas da MTV para o rock pesado. Eles são mesmo um bando de traidores!
Análise: Êpa, êpa! Quanto a isso, discordo radicalmente. Isso é coisa de gente sem qualquer visão geral das coisas. Sejamos coerentes: é proibido, para todo mundo que não anda de preto e não é cabeludo, gostar de metal? É proibido que o metal ganhe mais espaço nos meios de comunicação e alcance mais e mais pessoas? É proibido ver o metal na tela da MTV? Avisem isso pro Massacration, oras. Desculpem, caros puritanos, mas creio que isso só faz bem para o estilo. Só porque o "Black Album" é recheado de músicas "grudentas", ele virou um disco de música pop? Metal não pode ter refrão? Aliás... algum de vocês aí sabe definir exatamente o que é ser pop ou não? Ah, vá, façam-me o favor.
FATO 4: Discos como o "Load" e o "Reload" são um verdadeiro pecado para a história do metal e deveriam ser queimados em praça pública.
Análise: Novamente, um pensamento limitador que só ajuda a dar fama de "extremistas" aos headbangers. Catso, que mal há em mudar de ares? Nem toda banda consegue fazer o mesmo tipo de som para sempre. À medida que um músico envelhece, ele ganha novas influências e pode querer incorporar isso no seu som. Não é nenhum pecado. A partir do momento que uma banda quiser tocar única e exclusivamente para agradar o seu público, acabou a importante fração que é a satisfação pessoal do artista com o seu trabalho. O Iron Maiden consegue soar novo mesmo fazendo aquele mesmo metal tradicional. O Metallica não estava mais conseguindo o mesmo efeito com o thrash de discos como "Kill'em All". E resolveu mudar. Também é pecado? "Load" e "Reload" são discos dos quais gosto bastante, experimentais na medida certa e com propostas interessantes de amadurecimento musical.
FATO 5: "St.Anger" é um disco manufaturado para a molecadinha que curte new metal.
Análise: Bem, quanto a isso, sou obrigado a concordar. "St.Anger" soa tão forçado na tentativa de ganhar novas sonoridades inspiradas neste "novo metal" que povoa as rádios brasileiras que acaba ficando artificial. Parecem quatro tiozinhos querendo dar uma de "modernosos". O resultado é um disco altamente dispensável - que, tudo bem, é bem mais pesado do que "Load" e "Reload". Mas é covarde. Babaca. Com vocais descordenados e uma bateria que parece ser feita de panelas. Estamos entendidos? :-)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O subgênero essencial do rock que Phil Collins rejeita: "nunca gostei dessa música"
A banda grunge de quem Kurt Cobain queria distância, e que acabou superando o Nirvana
O álbum que Regis Tadeu considera forte candidato a um dos melhores de 2026
O álbum do U2 que para Bono não tem nenhuma música fraca, mas também é difícil de ouvir
Andreas Kisser participa de novo álbum do Bruce Dickinson - sem tocar guitarra
As bandas "pesadas" dos anos 80 que James Hetfield não suportava ouvir
"Não soa como Megadeth", diz David Ellefson sobre novo álbum de sua antiga banda
Novo disco do Megadeth alcança o topo das paradas da Billboard
A história de incesto entre mãe e filho que deu origem ao maior sucesso de banda grunge
O dia que Kiko Loureiro respondeu a quem o acusou de tocar errado clássico do Megadeth
O exato momento em que Mike Portnoy soube que voltaria ao Dream Theater
A respeitosa opinião de Dave Mustaine sobre Ritchie Blackmore
O guitarrista americano que sozinho ofuscou todos os britânicos, segundo Carlos Santana
Polêmica banda alemã compara seu membro com Eloy Casagrande
A música surpreendente que "peitou" o sucesso do grunge no início dos anos 90

O disco dos anos 1980 que foi muito influente para Metallica e Megadeth, segundo Dave Mustaine
As 40 melhores músicas lançadas em 1986, segundo o Ultimate Classic Rock
O rockstar dos anos 1980 que James Hetfield odeia: "Falso e pretensioso, pose de astro"
Para Lars Ulrich, o que tornava o Slayer interessante era seu extremismo
Os melhores álbuns de hard rock e heavy metal de 1986, segundo o Ultimate Classic Rock
A frase surpreendente de Lars Ulrich ao vocalista do Lamb of God no último show do Sabbath
Dave Mustaine revela que última conversa com James Hetfield terminou mal
Dave Mustaine diz que foi divertido regravar "Ride the Lightning", do Metallica
As músicas de metal favoritas de James Hetfield, frontman do Metallica
Lojas de Discos: a desgraça e o calvário de se trabalhar em uma
Avenged Sevenfold: desmistificando o ódio pela banda


