Ian Gillan: "Elvis, o maior de todos os tempos"
Por Rubens Lessa
Fonte: Classic Rock Magazine
Postado em 04 de janeiro de 2007
Ian Gillan, do DEEP PURPLE, falou em janeiro de 2007 para a revista Classic Rock, em matéria onde personalidades (não necessariamente ligadas à música) escolheram seus "ícones do rock".
A explicação a seguir é de Gillan sobre o motivo de sua escolha por ELVIS PRESLEY para a lista. "Eu me desinteressei por ele depois que lançou o filme 'Blue Hawaii', de 1961, e se mudou para Las Vegas, mas no seu início de carreira, ninguém podia com Elvis."
"Certa vez, Michael Parkinson perguntou à famosa soprana neozelandesa, Kiri Te Kanawa, quem era a maior voz que ela já tinha ouvido, provavelmente esperando que ela respondesse que seria (Luciano) Pavarotti ou Maria Callas, mas ela disse: ‘o jovem Elvis Presley, sem nenhuma dúvida."
"A voz de Elvis era única. Assim como tantos outros, ele tinha uma habilidade natural e técnica, mas havia algo no fator humano de sua voz, em sua liberação. Ele foi muito influenciado pelo Southern blues (Blues dos negros que viviam nas regiões sulistas dos EUA, como o Mississipi), e ele contribuiu para provar que se poderia ter essa mistura bizarra de country 'n' western, blues e folk. As gravações eram muito honestas naquela época, e elas se sustentam notoriamente bem."
"Eu era um ávido colecionador da primeira fase do Elvis; para um jovem cantor, ele era uma inspiração absoluta. Eu absorvi o que ele fez feito papel molhado. É a mesma coisa que estar na escola – você aprende o que o professor escreve no quadro. Sua personalidade era também extremamente chamativa. O balançar de seus quadris era considerado sensacional, mas diferente do Little Richard ou do Chuck Berry, suas entrevistas eram mais 'apagadas' (quando se tratava dele mesmo). Ele chegou humilde e era generoso ao elogiar os outros."
"Era inimaginável para mim que Elvis não tivera composto suas próprias canções. Aqueles foram dias muito diferentes, e ele selecionava o que lhe satisfizesse melhor de materiais cedidos por editoras, times ou escritores – todos eram extremamente conscientes do seu (Elvis) estilo."
"Entretanto, ele apareceu em alguns filmes horríveis. Elvis podia também ser um tremendo ator. 'Love Me Tender' (1956) and 'Jailhouse Rock' (1957) eram muito bons, mas 'King Creole' (1958) era o meu favorito. Gradualmente, seu vigor juvenil e seu estilo desinibido começaram a degringolar. Para mim, ele cantou bem pela última vez no filme 'GI Blues' (1960)."
"Junto ao resto do DEEP PURPLE, certa vez eu tive a chance de me encontrar com Elvis. O resto dos caras foram juntos. Mas eu recusei, sabendo que meu herói havia mudando tanto. Porém aquelas primeiras gravações ainda são incríveis, eles podem remixá-las ê transforma-las em hits para a geração adolescente, e Elvis será sempre o Rei. A razão é simples: ele foi o melhor cantor que já existiu."
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