Jimi Hendrix: Eddie Kramer fala sobre "Valleys of Neptune"

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Nathália Plá, Fonte: emusic, Tradução
Enviar correções  |  Comentários  | 

Matéria de 27/03/10. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

O crédito de Eddie Kramer no “Valleys of Neptune” é de co-produtor, juntamente com Janie Hendrix (meia irmã adotada de Jimi) e John McDermott da Experience Hendrix, empresa de propriedade da família Hendrix. Mas um título tão humilde desmente a verdadeira, profunda ligação de Kramer com Hendrix. Um nativo da África do Sul, Kramer era um engenheiro de gravação de 25 anos em Londres quando começou a trabalhar com Hendrix, na primavera de 1967. Ele ficou com o guitarrista como engenheiro, editor e co-produtor até a morte de Hendrix em 1970. “Basicamente” ele diz, “eu sou a pessoa no comando de todos os sons e todos aspectos técnicos dos álbuns de Jimi".

1268 acessosCharlie Brown Jr: ouça Chorão & Cia tocando Jimi Hendrix5000 acessosHeavy Metal: estressante, perturbador e faz mal ao coração

Ben Fong-Torres recentemente conversou com Kramer por telefone para a eMusic.

De onde surgiu a ideia do "Valleys of Neptune"?

"Surgiu da pesquisa feita por John, Janie e eu. Nós sabíamos da existência dessas fitas por alguns anos. Nós as transcrevemos na Inglaterra quando as pegamos com Chas Chandler (antigo diretor e produtor), e é algo em que vínhamos pensando por algum tempo, e nós queríamos exibir algo realmente bom para o negócio novo com a Legacy Recordings. Nós começamos a trabalhar nisso há mais de um ano, restaurando e tendo certeza de que estávamos tirando o melhor de nossas fitas".

"Nós sentimos que elas remetiam a um período de tempo, em 1969, que foi uma encruzilhada para Jimi. Essa leva veio dos Olympic Studios (em Londres) em 1969, quando ele contratou o estúdio basicamente para preparar a banda para os shows no Albert Hall que estavam por vir. É um conjunto magnífico de performances, que ele fez em alguns dias. Essa foi provavelmente a última vez que a formação original da Experience tocou junto. Foi um conjunto único de sessões. Jimi e a banda estão simplesmente pegando fogo. Quero dizer, ele está relaxado, ele está se divertindo muito. É um olhar fresco sobre Jimi".

Essa é uma coletânea diferente de material. Existe um tema?

"Ah, como existe. Se alguém voltar a 68 vai ver o sucesso que Jimi teve com 'Electric Ladyland' – que foi de fato um álbum divisor de águas, em termos dele estar no comando de seu destino. Ele provou que ele podia montar um álbum. Se alguém fizer uma jornada com Jimi ao início de 69 e olhar para a mudança que estava para acontecer – a saída de Noel Redding da banda e Jimi trazendo Billy Cox. Isso traz uma virada musical de eventos; você pode realmente escutar a influência R&B com bastante força, e você pode segui-la ao longo de todo ano de 69, até Woodstock, quando ele surge com a Band of Gypsys".

"Logo depois disso tudo Jimi está na Record Plant em Nova Iorque, de onde vêm algumas das faixas extras, e você pode escutar a mudança na influência da nova banda, com Mitch Mitchell e Billy Cox e a direção de Jimi, que agora é mais baseada no R&B, mas bem rock. Há uma curva definitiva no desenvolvimento da música de Jimi, e é isso que esse álbum representa: Jimi tentando coisas novas, novos arranjos, novos músicos, uma forma diferente de ver as coisas, e isso nunca foi colocado junto de uma forma coesa. E foi isso que fizemos".

Há uma faixa que não é dessa era, mas de 67.

"'Mr. Bad Luck'. Que é uma faixa fabulosa. Mas nunca se ajustou a nenhum álbum. Quando a ouvimos e descobrimos a sua melhor tomada, dissemos, 'Quer saber? Essa é uma música perfeita para esse álbum'”.

Alguém decidiu que seria bom que Noel e Mitch adicionassem suas partes de baixo e bateria em 1987.

"Chas deu a Mitch e Noel a oportunidade de tentar uns overdubs em algumas faixas que tinha feito com eles. Isso é bem para acompanhar o que Jimi, eu próprio, qualquer um de nós teria feito se tivéssemos a oportunidade. Nós frequentemente fazíamos overdub de coisas quando Jimi estava vivo. A forma como eu mixei essas faixas escutando a bateria original tocando, e o baixo tocando e comparando com o som com overdub, e cortando entre os dois e descobrindo o melhor de ambos. É realmente uma combinação. Eu não tenho nenhum mau sentimento disso, de forma alguma".

Ouvi dizer que "Valley" (a música título do álbum) teve originariamente algumas tomadas diferentes?

"Há duas performances distintas. Jimi gravou as partes do vocal e da guitarra em 1969 e então fez fez uma faixa completa com banda quase um ano depois. O mais fascinante pra mim é que a performance dele em 1969 era tão precisa – não só estava no tempo e no tom da performance de 1970, mas quando eu casei as duas, eu não poderia diferenciar. É como se ele tivesse planejado daquele jeito.

Por que ele decidiu refazer "Stone Free"?

"Ela estava para sair e fazê-la com um sentimento radicalmente diferente. Eu acho que quando você compara as diferentes versões dela, esta é uma particularmente brilhante. A mesma coisa com 'Red House' e 'Sunshine of Your Love'. 'Stone Free' é provavelmente uma das faixas mais difíceis de gravar do ponto de vista da engenharia, por causa de sua enorme extensão dinâmica, e é muito difícil para um guitarrista e uma seção de ritmo realizar isso com alguma precisão. E esta é uma das grandes performances daquela música".

No geral, como foi para você lidar como esse material e produzir esse álbum?

"Eu consegui não só chegar e pegar as fitas mestras originais e trabalhar nelas e traze-las à vida; foi uma daquelas vezes em que você pode voltar às brumas do tempo e escutar a voz do Jimi vindo para você, dizendo coisas como 'Ei cara, como foi essa tomada', e eu ouço minha voz dizendo, 'Foi bom, Jimi... vamos tentar mais uma'. E são coisas como essa que te fazem rir e dizer 'Minha nossa, aqueles foram bons tempos'. E então quando você ouve as performances, é aí que fica bem empolgante. O ar passa em sua nuca e você diz 'Santo Cristo, essa merda é inacreditável'. Porque não houve ninguém como ele”.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Charlie Brown JrCharlie Brown Jr
Ouça Chorão & Cia tocando Jimi Hendrix

171 acessosJimi Hendrix: O Som da Guitarra no Are You Experienced Pt.4257 acessosJimi Hendrix: parque em sua homenagem em Seattle abre este sábado130 acessosJimi Hendrix: O Som da Guitarra no "Are You Experienced" Pt.30 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Jimi Hendrix"

Top 500Top 500
As melhores músicas da história segundo a Rolling Stone

Ultimate Classic RockUltimate Classic Rock
Os 10 melhores singles de estreia

Jimi HendrixJimi Hendrix
Dono do melhor riff da história segundo o site Music Radar

0 acessosTodas as matérias da seção Notícias0 acessosTodas as matérias sobre "Jimi Hendrix"

Heavy MetalHeavy Metal
Estressante, perturbador e faz mal ao coração

Pink FloydPink Floyd
O maior concerto de rock já produzido

A década perdida?A década perdida?
Rock Brasileiro da Década de 70

5000 acessosLemmy: "as pessoas se tornam melhores quando morrem"5000 acessosAs regras do New Metal/Nu-metal5000 acessosHeadbangers: o preconceito mostrado em vídeo bem-humorado5000 acessosSlipknot: vocalista revela o seu momento mais doloroso no palco5000 acessosIron Maiden: analisando as guitarras de Dave Murray3992 acessosKirk Hammett: o que mudou na vida dele após o Metallica lançar o "Black Album"

Sobre Nathália Plá

Mineira de Belo Horizonte, nasceu e cresceu ouvindo Rock por causa de seu pai. O som de Pink Floyd e Yes marcou sua infância tanto quanto a boneca Barbie, mas de uma forma tão intensa que hoje escutar essas bandas lhe causa arrepios. Ao longo dos anos foi se adaptando às incisivas influências e acabou adquirindo gosto próprio, criando afinidade pelo Hard Rock e Heavy Metal. Louca e incondicionalmente apaixonada por Bon Jovi, não está nem aí pras críticas insistentes dirigidas à banda. Deixando a emoção de lado e dando ouvidos à técnica e qualidade musical, tem por melhores bandas, nessa ordem, BlackSabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e Dream Theater. De resto, é apenas mais uma apreciadora do bom e velho Rock'n'roll.

Mais matérias de Nathália Plá no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online