Kurt Cobain: tão bonito quanto uma pedra na cara de um guarda
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 21 de março de 2014
Patriarca moderno dos aforistas, NIETZSCHE ciente da efêmera estadia humana nesse plano, afirmou: "Há homens que já nascem póstumos." Discípulo - e depois dissidente - do pensamento de SCHOPENHAUER, o alemão pulava o vocabulário da moral filosófica tradicional e ia direto ao que interessa - homens devem ser espíritos livres - ainda que o preço para isso seja o exilio social.
KURT COBAIN , em certa oportunidade disse: "sou o pior no que faço de melhor. E por este presente eu me sinto abençoado". O que soou como uma sentença marqueteira revelar-se-ia como o retrato doente pintado em cinco de abril de 1994 quando o músico estourou a própria cabeça com o disparo de uma espingarda Remington. COBAIN entendia o melhor e o pior como sendo a mesma face da moeda, nebulosa e turva; entendia que como na liberalidade de um presente recebido, a história deveria acabar.
A história da música nos últimos vinte anos refletiu a morte do líder do NIRVANA em todos os níveis. O capricho do destino encarcerou a banda entre a gênese do grunge como rótulo de moda e a pré-história do download- leia-se custo zero de acesso a obra em uma época que não sabe se NAPOLEÃO BONAPARTE veio antes ou depois de ARQUIMEDES. Ainda assim, apreciadores e detratores parecem entrar em senso comum quanto a compreender a banda como um dos últimos resquícios de criatividade opiácea enxertada à descrença total no mainstream, sarcasmo sujo e o habitual despreparo total em se sair de porões para duzentos milhões de discos vendidos. Alguns se lembrarão do lamentável show no Hollywood Rock, nos anos noventa – um pedido agônico e inaudível de socorro- outros dirão que foram oportunistas candidatos a milionário - mas ainda se ocupam disso duas décadas depois.
COBAIN foi o gênio que dizem? "As coisas tem um brilho que com o tempo se vai; morra jovem e permaneça belo" – o guitarrista caiu na armadilha da vala rotulista dos "mortos aos 27"- prato cheio para documentários vazios; para o resto do mundo apenas uma mórbida coincidência. Plasticamente seu padrão inusitado de acordes e suas letras encorpadas à base de cinismo foram singulares, sem dúvida; entretanto como o mito é alimentado pela descontinuidade, a iconografia é lastreada pela dúvida, sempre haverá a controvérsia.
Fato é que com toda a sua ausência de sobriedade mundana, KURT COBAIN marcou um período. Ao sair de Aberdeen para as rádios do Cazaquistão, o vocalista marcou em brasa as tendências posteriores- do pop ao metal. Nunca fui um fã devoto de sua postura de palco ou de seu paupérrimos solos mas, como cronista entendo sua urgência e necessidade. Como o próprio líder afirmou em seu bilhete derradeiro: "Melhor queimar do que apagar aos poucos". O NIRVANA me convenceu.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
Mike Mangini assume a bateria do Godsmack em nova etapa de turnê
Rush inicia novo capítulo de uma carreira baseada em fortes convicções
Vocalista do Moonspell sobre tradução literária: "É mal pago, mas adoro"
A origem de "Por Quem os Sinos Dobram", que une Raul Seixas e Metallica
Os roqueiros da Seleção Brasileira na História das Copas do Mundo
O pioneiro do rock que Elton John passou a considerar "patético"
Os 25 melhores discos de gothic metal de todos tempos, segundo a Louder
As 25 melhores bandas de todos os tempos, segundo a Classic Rock
A música do Led Zeppelin que Brian May considera insuperável na obra da banda
Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades
Como o Metallica contribuiu para a criação de uma das maiores bandas de metal sinfônico
Rush toca "Moving Pictures" na íntegra em terceiro show da nova turnê
Tarja Turunen lança "Frisson Noir", disco mais pesado da sua carreira solo
Rodrigo Constantino toca clássico do Iron Maiden na bateria e ganha elogios



A banda dos anos 80 que Kurt Cobain dizia ter envelhecido rápido demais
A frase desesperada de Dave Grohl para tentar evitar a morte de Kurt Cobain
A música do Nirvana que critica o machismo e homenageia as mulheres
A banda desconhecida que está por trás de boa parte do som pesado dos últimos 40 anos
10 músicas que astros do rock não aguentavam mais tocar, mesmo sendo amadas pelos fãs
A opinião de Thom Yorke do Radiohead sobre o clássico "Nevermind" do Nirvana
A banda que Jack Black diz que destruiu o rock por ser grande demais
A banda que fez Sharon den Adel, vocalista do Within Temptation, entrar no mundo da música pesada
Van Halen: o constrangedor encontro de Eddie com o Nirvana
O motivo por trás do ódio que Kurt Cobain sentia pelo fenomenal Phil Collins do Genesis


