Jimmy Page: "Sons terríveis que você não deve ouvir"
Por Marcio Millani
Fonte: Ultimate Classic Rock
Postado em 18 de maio de 2014
JIMMY PAGE evidentemente possuía toneladas de material para escolher quando sentou-se para organizar o material inédito que está incluído nas reedições do LED ZEPPELIN a serem lançadas. Durante recente entrevista para a revista Guitar World, ele revelou detalhes a respeito do processo de seleção por trás de uma das faixas: um take inicial de "Whole Lotta Love", do álbum "Led Zeppelin II, de 1969.
"Àquele ponto na evolução da música eu já sabia em minha mente para onde iria o arranjo todo, mas eu queria que as pessoas ouvissem o quão focado estávamos na criação de uma base muito intensa", PAGE respondeu ao ser indagado do porquê ele escolheu aquela performance específica. "E é algo intenso!... Eu acho que a performance de ROBERT PLANT nessa faixa é também uma revelação. Ele está somente fazendo uma voz guia, mas é do cacete, não é? E mesmo que você só escute alguma coisa de bateria, pequenos trechos da parte final de Theremin e algum vocal do ROBERT na parte do meio, é realmente atmosférico e possui seus próprios méritos."
Nenhum debate sobre "Whole Lotta Love" seria completo sem algumas palavras a respeito de como a banda criou a variedade de excêntricos ruídos na parte central, e PAGE compartilhou algumas informações, dizendo, "eu sabia o que eu queria, e sabia como obtê-lo. Era somente uma questão de fazer. Eu criei a maior parte dos sons com o Theremin e a minha guitarra. O Theremin gera grande parte dos registros agudos enquanto minha Les Paul faz os graves."
Obviamente não é tão simples assim. "Eu alterei a afinação radicalmente e basicamente puxava as cordas para conseguir uma gama de ruídos," continuou PAGE. "Sons terríveis que você não deve ouvir em rádios comerciais. (risos). Eu devo ter mudado a afinação para formar um acorde, mas eu realmente estava puxando as cordas para fazê-las uivar! E depois, durante a mixagem, com a ajuda do engenheiro EDDIE KRAMER, fizemos todo o panning e adicionamos os efeitos, incluíndo o usos de osciladores de baixa frequencia no gravador para realmente destruir a coisa toda e trazê-la de volta, e desta maneira fazer o som mover-se no ritmo. É algo que ninguém havia feito antes neste contexto, ainda mais no meio de uma música. Isto demonstra que éramos inovadores, que tudo era avant-garde, e que estávamos nos divertindo muito."
Era tudo finalmente devido ao que PAGE se referiu como "a vantagem de ter o controle artístico". Como ele enfatizou, "Nada disto teria acontecido se (eu) tivesse um produtor de fora. Ele certamente teria questionado, ou não compreendido, o que eu estava fazendo, ou teria pensado que eu estava produzindo somente um monte de barulho. Eu estava apto a ter certeza que nossas ideias iriam ser executadas sem interferência."
Por Jeff Giles
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