Protestos contra Metallica são falácia hipócrita e reacionária
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 06 de junho de 2014
Texto original por IAN WINWOOD co-autor do livro ‘Birth School Metallica’.
Em junho de 2013, o fundador do festival de Glastonbury, MICHAEL EAVIS, pronunciou-se em apoio à política do governo do Reino Unido sobre o abate de furões. Eavis, então com 77 anos disse ao jornal inglês The Guardian, ‘como fazendeiro, não estou do lado do furão’.
Desde que fundou o festival em 1970, Eavis já viu todo tipo de banda e artista se apresentar na fazenda Somerset. Poucos deles são melhores do que PJ Harvey, um defensor ferrenho e orgulhoso da caça à raposa.
O leitor pode ser desculpado por não saber da postura de Eavis e Harvey quanto ao abate de animais porque, bem, porque ninguém se importava.
Isso, obviamente, não é o caso do METALLICA.
Pela primeira vez desde que ‘Some Kent Of. Monster’ foi lançado uma década atrás, o quarteto de São Francisco tornou-se o grupo mais comentado da Grã-Bretanha. A notícia de que o frontman JAMES HETFIELD irá narrar ‘The Hunt’, uma série sobre a caça de ursos selvagens no Alaska, produzida pela franquia estadunidense do History Channel-também transmitido no Reino Unido – tem recebido uma avalanche de críticas oposicionistas que dificilmente seriam mais pronunciadas se ele tivesse fechado as portas da World Wildflife Fund com a cabeça decepada do último Panda vivo do mundo.
Um abaixo-assinado online para remover o Metallica do elenco de Glastonbury esse ano está em andamento.
Claro, seria errado sugerir que nenhum animal foi ferido durante as gravações de The Hunt. Mas também seria errado afirmar que eles foram machucados por James Hetfield. O frontman de 50 anos não caça mais. Ele pode, hoje em dia, fazer relações públicas para o ‘esporte’, mas ao se pronunciar a favor de uma atividade impopular e tabu ele apenas segue os passos de Michael Eavis e Polly Jean Harvey.
Então do que se trata toda essa celeuma na verdade?
Fico tentado a dizer que o chororô que tem ocorrido desde que o Metallica fora anunciado no palco Pyramid na noite de Sábado de Glastonbury não passa de elitismo cultural. Várias pessoas – algumas das quais podem até comparecer ao festival – estão chocadas com o fato de a banda mais bem-sucedida do metal tenha invadido – e ainda por cima convidada! – a cidadela de Somerset.
Encurralado contra esse esnobismo está um esnobismo inverso que também está operando a todo vapor. Muitos fãs de metal estão chocados pelo Metallica tocar no ‘Glasto’ e se comparando ‘ao tipo de gente’ que eles imaginam que compareça ao evento.
Mas vamos ser mais generosos e dizer que isso não passa de desconforto cultural. Mas Glastonbury é um evento que se orgulha por sua diversidade. Excluir o Metallica dessa política de casa aberta é tão inconsistente como acreditar que há diferença entre James Hetfield narrar imagens de uma caça ao urso e PJ Harvey defender cães caçando uma raposa até sua morte.
Os frequentadores de Glastonbury fariam bem se entendessem isso. Os reacionários do metal também fariam ao baixarem a bola.
O que também tem sido esquecido é que já passamos por isso antes. Em 1985, quando o Metallica foi agendado para tocar em Donington como parte do elenco do Monsters of Rock – espremidos entre o Ratt e o Bon Jovi – os gritos de indignação dos pagantes e guardiões da consciência coletiva foram altos e estridentes. O Metallica, diziam, não era apropriado para o festival. O Metallica era idiótico e recém-chegado. O Metallica – como colocar melhor do que isso? – não era nosso tipo de gente.
Com um arroto de ar parado, a história, 29 anos depois, está se repetindo.
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