Rudson Xaulin Apresenta: Parte 1 - Tequila Baby
Por Rudson Xaulin
Postado em 17 de junho de 2017
TEQUILA BABY: Para muitos a banda de punk rock dispensa apresentações, para outros, ainda é um solo desconhecido e que precisa logo ter mais desbravadores. Um dos maiores representantes do rock gaúcho, e uma banda que ainda respira relevância, tanto que se mantém fazendo shows lotados por onde passa e ainda desponta em apresentações por outros estados do Brasil. Eu conheci a TEQUILA BABY graças ao rádio, fonte inesgotável de boa música no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Mas uma história muita curiosa minha, envolve a banda e o filme GODZILLA (de 1998) e o disco da banda SANGUE, OURO E PÓLVORA (de 1999). Naquele tempo, os filmes eram ainda vistos no VHS, mas alugar um lançamento como GODZILLA era caro. Mas no meio do caminho, eu acabei conhecendo a TEQUILA BABY e a música VELHAS FOTOS e isso mudou o rumo do filme pra mim. Um primo meu veio do interior para passar férias na minha casa, e passávamos o final de semana inteiro jogando CONTRA 3, do saudoso Super Nintendo. Como o cara estava por lá, minha mãe me deixou algum dinheiro para poder alugar filmes e jogos de game. Mas no fim das contas, CONTRA 3 era tão difícil, que aquela fita nos tomou dias da infância. Com isso, economizei o dinheiro, e graças a isso, comprei o CD da TEQUILA BABY, original. Como eu apenas conhecia a banda via rádio, foi muito legal ver o CD físico pela primeira vez, e aquela capa feita em desenho, me ganhou logo de cara, pois eu perdia horas extras de diversão, desenhando meus personagens favoritos. Eu ainda devo ter o desenho da capa do disco da banda, perdido em algum lugar no meu acervo. No fim das contas, eu acabei vendo GODZILLA anos depois, já em DVD, e tenho o filme em casa até hoje também. O disco da banda eu acabei trocando por um par de seios, visto que foi bem isso: A menina me ofereceu mostrar os seios em troca do CD, eu negociei como um bom brasileiro, e pedi para ver três vezes, além de dar uma checada, ela topou. O disco se foi, mas valeu a pena. Acabei encontrando ele em uma banca que vendia livros, discos, CD’s e revistas em Porto Alegre anos mais tarde.
Músicas em Destaque:
Se fosse para indicar as canções da banda, das que eu mais gosto ou que fazem mais sentido as pessoas ouvirem de cara, seriam VELHAS FOTOS, 51, MELHOR DO QUE VOCÊ PENSA, PLANOS PERFEITOS, LÍRIOS, RALPH e ALELUIA. Mas é difícil, eu mesmo tenho dezenas de faixas da banda para indicar, e a discografia do grupo tem sempre mais de um hit por disco. TEQUILA BABY é uma banda que vale a pena ser estudada. Se puderem ter a chance de ir a um show do grupo, não percam essa oportunidade, é algo emblemático e carregado de energia. O disco "PUNK ROCK ATÉ OS OSSOS", que virou até bordão, merece destaque absoluto.
Curiosidades:
Outra coisa legal de dizer, é que depois que eu comecei a trabalhar com os meus livros, fazer as resenhas e coisas do tipo, conheci muitas pessoas ligadas às bandas e ao meio como um todo. DUDA CALVIN, vocalista da banda, sempre foi um cara super gente boa e que sempre abriu os braços para a cultura como um todo, com isso, quando ele soube de mim e dos meus livros, ele sempre buscou me indicar para outros músicos, falava das minhas resenhas, ele leu meus livros e mostrava os mesmos em suas palestras, escolas e nas suas apresentações. Não foi raro encontrar grandes figuras do meio musical gaúcho, e ouvir "conheço teu trabalho, pois o Duda da Tequila Baby me falou de ti". As coisas foram acontecendo e eu passei a trabalhar e produzir shows, incluindo da TEQUILA BABY. Foi uma coisa muito bacana de fazer, depois de todo tempo da minha vida ouvindo a banda, comprando discos e indo aos shows, colocar eles no palco levando meu nome, foi algo extraordinário. Também ajudei em um show que eles abriram para MARKY RAMONE, fazendo divulgação na minha página, bem como falando de todo aquele festival em minhas resenhas a pedido da produção do evento, de algum modo eu me senti bem por estar envolvido com um nome tão grande como o de um ex-RAMONES, e MARKY ainda me presenteou com uma foto autografada. Algo parecido ia me acontecer com o THE OFFSPRING, a produção da banda tinha me conseguido umas coisas legais, o show foi em Santa Catarina, mas eu acabei adoecendo no final de semana, e não pude pegar a estrada com a banda TEQUILA BABY. Outro fato interessante, é que tempos depois, um livro oficial da TEQUILA BABY foi anunciado, sob minha responsabilidade, o mesmo está quase finalizado, esperando por uma data de lançamento junto à banda.
Entrevista com DUDA CALVIN:
RX - O que poderia ser feito, falando em espaço, mídia, shows, para que o rock n’ roll tenha sua relevância de outrora? Ou acha que isso é um problema interno do Brasil e da nossa cultura musical?
Duda: Cara, eu acho que deveria ter mais eventos ao ar livre. De preferência dando espaço para bandas novas, para também se apresentarem. Porque a partir do momento que as gravadoras entram em falência aqui no Brasil, a indústria fonográfica ali no final dos anos 90, tudo relativo à música, fica em baixa. E o rock n’ roll, que sempre precisava das rádios e das gravadoras, para poder se divulgar para todo o Brasil, não consegue se adaptar ainda, a esse novo momento, onde o Facebook e Youtube, são as grandes ferramentas de divulgação. Mas eu falo do rock que não consegue se divulgar, o pessoal dos anos 90, porque pós 2000, a gente teve bandas como a FRESNO, que conseguiram espaços na internet. Mas hoje nós não temos mais os grandes sucessos, e nem em outra área, pois o pessoal que não escuta o sertanejo, não conhece quem está em alta no momento dentro do sertanejo, cantores de funk que são sucesso dentro do funk, mas que muitas pessoas de fora não conhecem. Isso tudo porque a música entrou em nichos, não ficando mais nos "Top 10". Hoje tem cantor de bandas em "Tops", que se pegar lá o "número 5", a gente nunca vai ficar sabendo. Mas eu acredito que tendo mais eventos ao ar livre, para a meninada poder participar, ir em shows e também poder tocar, ia fazer com que essa roda girasse pro rock.
RX - Uma história engraçada com a sua banda, de sufoco, injustiça, algo que aconteceu, mas que não deveria ter acontecido?
Duda: Uma vez a gente foi tocar em São Paulo, e nós fomos de ônibus de linha, comum. Nossa primeira vez em São Paulo, ali por 1996. E lá na rodoviária, confundiram a gente com a banda SKANK, porque o nosso baterista era careca e o baterista deles também era, e eu tinha o cabelo meio parecido com o do SAMUEL ROSA. Aí um pessoal na rodoviária queria pegar nossos equipamentos, para ajudar a carregar, "as coisas do SKANK". Aí tivemos que nos esconder, atrás de um pilar, esperando essa galera sair. No fim das contas, não estávamos entendendo direito, pois não imaginávamos que nossa música já estivesse em alta em São Paulo, daí tudo ficou claro quando uma pessoa pediu que eu autografasse um disco, eu disse claro, e peguei na mão, era um disco do SKANK, aí entendemos o que estava acontecendo, e eu assinei o disco, como SAMUEL ROSA...
RX - E fale aqui sobre qualquer coisa que ache que está errado, direcionando isso para produtores, casas de shows, mídias, público ou até mesmo outras bandas:
Duda: Os grandes empresários da música hoje não estão apostando no rock. Eles gastaram as suas fichas no sertanejo, agora aplicaram essas fichas no funk, e como o funk começa a decair também, eles vão ter que aplicar em outras coisas. Existem algumas pessoas no Brasil que ditam o que vai ou não vai entrar na mídia, o que vai ser ou não vai ser divulgado nos grandes meios. Então talvez quando eles pensarem em voltar a investir em rock n’ roll, talvez a coisa possa mudar.
Clipe de VELHAS FOTOS
Clipe de MELHOR DO QUE VOCÊ PENSA
Clipe de CONTANDO ESTRELAS (em 4K UHD)
- Primeira banda da América Latina a usar essa tecnologia.
MARKY RAMONE & TEQUILA BABY (DVD)
PUNK ROCK ATÉ OS OSSOS (FULL)
Rudson Xaulin Apresenta
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