Woodgothic: uma década atrás, o festival em São Tomé das Letras
Por Juliana Vannucchi
Fonte: Woodgothic
Postado em 26 de junho de 2018
2018 é um ano especial e de grande relevância para o cenário underground brasileiro, pois marca uma década da realização do primeiro festival Woodgothic.
São Tomé das Letras é uma das cidades mais aclamadas de Minas Gerais. O local é especialmente caracterizado por uma aura mística, por inúmeras lendas, paisagens exuberantes e pela excentricidade da maior parte de seus frequentadores. Foi justamente nesse cenário delirante e peculiar que, em 2008, o casal Karolina e Zaf, do duo Escarlatina Obsessiva, concretizou a primeira edição de um evento que atualmente é o maior festival underground da América Latina.
Desde então, o Woodgothic apenas progrediu. Aperfeiçoou-se em sua estrutura e em seus mínimos detalhes. Tornou-se grandioso, valioso e popular no Brasil e até mesmo na Europa. Sua organização e elaboração são pautadas na filosofia do D.I.Y (Do It Yourself – Faça Você Mesmo), uma herança muito positiva das raízes do Punk Rock. Dennis Sinned, músico brasileiro da banda 1983, comentou: "Participei de todas as edições desde quando o Woodgothic era um embrião, desde a época em que, na comunidade dos góticos brasileiros do Orkut, se discutia se era viável sua realização. De lá pra cá, o evento, de fato, se concretizou. Acho que se tornou um exemplo de resistência do underground. Poucos acreditavam que um evento desse tamanho se concretizasse fora do eixo Rio-São Paulo". Dennis também ressaltou a importância da resistência e a insistência como componentes essenciais que engrandecem o Woodgothic: "Não é qualquer um que segura a barra de fazer um evento assim com poucos recursos."
Fabrício Pereira, residente de Sorocaba/SP, participa e acompanha a cena gótica e underground há bastante tempo. Nunca participou do festival, mas comentou sobre sua importância: "O evento tem grande relevância pra musica Gótica e Pós-punk, onde apreciadores tem a chance de ver ao vivo suas bandas favoritas do cenário nacional/ internacional que em grande maioria são bandas independentes. Artistas extremamente talentosos expõe sua arte e acabam conquistando novos admiradores de seu trabalho". Fabrício também fez questão de ressaltar sua apreciação pelas bandas que tocam no evento, comentando: "Gosto da grande maioria das bandas que já tocaram no Woodgothic, mas particularmente aprecio mais as bandas de Pós-Punk e Darkwave entre as tantas outras vertentes. O que acho legal do evento e que mescla entre bandas atuais e bandas já conhecidas de longa data na cena alternativa. Bandas nacionais que já tocaram e que gosto são: As mercenárias Varsóvia, Escarlatina Obsessiva, Ecos D'alma, Gangue Morcego entre outras. Participo de eventos voltado pra cena gótica em minha cidade há quase dez anos e foi através desses eventos que soubemos do famigerado Woodgothic!".
Jonas Ramos é admirador da subcultura gótica e segue a cena nacional há mais de uma década. Embora nunca tenha participado do Woodgothic, conheceu o festival em meados de 2014 por intermédio de um amigo que iria participar do evento com sua banda e por uma conhecida que é DJ. De acordo com Jonas: "O evento é uma grande oportunidade para bandas apresentarem e divulgarem seu trabalho, sejam as que estão começando, sejam as que estão há um tempo paradas ou "esquecidas" do grande público. Para a cena underground um evento desse porte agrega muito pois é uma forma de conhecer novas pessoas, partilhar ideias, artes, unir ainda mais a cena, não é a toa que a cada edição ele vai se tornando maior e mais conhecido do publico";
É evidente que a importância do festival é imensa, pois o Woodgothic agrega muito, tanto culturalmente, quanto socialmente. Esperamos que o evento possa sempre se manter forte e ser resistente quando necessário. Que venham muitas outras edições e que sobreviva por muitas décadas! Longa vida ao Woodgothic.
Agradecimentos especiais: Karolina e Zaf, Dennis Sinned, Jonas Ramos e Fabrício Pereira
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