Igor Steiner: em entrevista, guitarrista fala sobre novo EP, streaming e futuro do rock

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Por Johnny Rocks, Press-Release
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Após o lançamento do álbum homônimo de estreia, Igor Steiner retorna em 2019 com o lançamento do EP intitulado "Music, Passion & Solitude". Igor concedeu essa entrevista e contou detalhes sobre o novo lançamento, projetos para o futuro e qual a sua opinião sobre a cenário atual do rock mundial.

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Confira a entrevista com Igor Steiner.

O que você pode nos falar sobre o lançamento do novo EP "Music, Passion & Solitude" e por que esse título?

Igor Steiner: Foi prazeroso compor e gravar esse EP, tudo aconteceu muito naturalmente. Assim como no primeiro álbum, todas as músicas e letras são de minha autoria. Em poucas horas, já havia gravado as guitarras, baixos e vocais. A bateria ficou a cargo do produtor. Em dois dias de estúdio, já estava tudo gravado. É um som simples e direto. Digamos que é rock direto ao ponto (risos). Inicialmente, eu queria lançar um novo álbum, mas depois percebi que ainda não é o momento certo e que um EP seria mais interessante. O título está relacionado a tudo o que vivi em relação à música nos últimos anos. Música, paixão e solitude. Música por ser uma das coisas que mais gosto de fazer e que mais me fazem bem, paixão pela música e para conseguir alcançar os meus sonhos mesmo diante das dificuldades, solitude porque tem sido uma caminhada solitária, mas foi uma decisão minha e me sinto bem em relação a isso porque consegui organizar melhor as ideias e trabalhar naquilo que eu acredito. Muitas pessoas não acreditaram e ainda não acreditam em mim, então chega um momento em que você precisa fazer a coisa acontecer sem depender muito dos outros. Por isso, chamo de solitude e não de solidão.

Como estão sendo recebidos os seus lançamentos pelo público?

Igor Steiner: Muito bem e fico feliz por isso. É claro que eu gostaria de alcançar mais pessoas porque a maioria ainda nem sabe que eu existo (risos), mas é até uma dificuldade do mundo da internet. A todo instante, é oferecida uma quantidade tão grande de informações que você precisa encontrar uma forma de conseguir se destacar no meio de tudo isso. E não estou dizendo que é algo que acontece do nada porque não é assim, ainda mais na atualidade. É claro que compor boas músicas é importante, mas é preciso ir além disso. Entender do music business é fundamental. Hoje em dia, o artista precisa cuidar de outros aspectos da própria carreira. Sempre que posso, participo de cursos relacionados ao music business, marketing digital, gerenciamento de carreira. É preciso conhecer o seu público e como você se relaciona com ele através das redes sociais.

Você comentou antes que pensou em lançar um novo álbum, mas que achou mais interessante o EP. Ainda existe alguma vontade de lançar novas músicas ou um novo álbum?

Igor Steiner: Vontade existe. Sempre gostei de compor e gostaria de continuar lançando músicas novas, mas primeiro preciso ter um crescimento em relação aos acessos nas redes sociais e plataformas de streaming. O primeiro álbum, por exemplo, acho que não foi completamente aproveitado. É realizada uma distribuição em formato físico para outros países e está sendo um trabalho importante, mas vejo a necessidade de um crescimento maior. Gostaria de lançar um novo álbum somente se eu perceber que quem acompanha o meu trabalho deseja ouvir novas músicas. É algo que precisa ser feito no momento certo.

Sobre a questão da internet que você comentou, o que você acha do streaming? É algo bom ou ruim para a música?

Igor Steiner: Quem vem de um modelo antigo, precisou se adaptar. Muitas coisas aconteceram e se modificaram. Atualmente, a pessoas consomem a música de uma forma diferente e a própria ideia de álbum por exemplo já não é mais a mesma por causa das playlists e muitos artistas até preferem lançar singles do que "aquele pacote de dez ou doze músicas". No caso de quem está começando agora, o streaming permite uma democratização maior dos lançamentos, os artistas por um lado estão mais independentes. Eu, por exemplo, disponibilizei as minhas músicas nas plataformas digitais sem nem precisar sair de casa (risos), então isso é algo interessante. É claro que tudo tem seus prós e contras: no caso do streaming, acho que o valor que o artista recebe poderia ser melhor. Eu vejo assim, para poder gravar uma música ou um álbum, você investe tempo no estudo do instrumento, nas composições, depois tem o investimento na compra de instrumentos e equipamentos para a gravação, luthier, produtor, aluguel do estúdio, processo de mixagem e masterização e por aí vai. Tudo isso é trabalho e esse trabalho precisa ser mais valorizado. Diante disso, não é por acaso que os ingressos dos shows estão mais caros e que para você encontrar o artista precisa adquirir o meet & greet. Talvez ainda estejamos em uma fase de transição e o cenário daqui a dois ou três anos será diferente, talvez algum novo modelo de venda ou até de formato de música podem surgir.

Falando agora mais especificamente sobre o rock, qual a sua opinião? O rock morreu de fato? Qual o futuro do rock?

Igor Steiner: Acho que essa questão do rock ter morrido tornou-se polêmica há alguns anos principalmente quando o Gene Simmons (baixista do Kiss) disse em algumas entrevistas "rock is dead". Muitas pessoas criticaram e disseram "o rock nunca vai morrer", "eu nunca vou deixar de ouvir rock", "eu ouço rock todos os dias em casa". Tudo bem se você ouve Led Zeppelin ou Black Sabbath no seu quarto, mas essa é a visão do fã. A fala do Gene, que foi interpretada de forma errônea, é referente à indústria musical, principalmente para as novas bandas. É sobre conseguir viver só de música, é sobre uma comercialização da música e sobre as oportunidades e suporte que as bandas tinham antigamente, é sobre um declínio da música motivada principalmente, segundo ele, pelos downloads, então os próprios fãs também são responsáveis por isso. Ele até aconselha os músicos jovens a não deixarem os próprios empregos para seguir uma carreira musical (risos) e se pergunta "cadê o próximo Bob Dylan?", "qual será o próximo The Dark Side Of The Moon em uma indústria como a atual?". E falando de Kiss, Paul Stanley comentou recentemente que estava conversando com o Rod Stewart e disse que não gostaria de estar começando a carreira agora, e Rod respondeu "amém". Então é um discurso que vai muito além do rock enquanto estilo e se as pessoas ainda ouvem ou não. Para mim, a situação é essa: o rock enquanto estilo não morreu, porém quando você pensa no rock, na indústria musical e no rock enquanto trabalho, algumas reflexões precisam ser feitas, principalmente em relação às bandas novas. Bandas clássicas com décadas de atividade já estão com as carreiras consolidadas, mas e quando elas acabarem? O que vai sobrar? Nesse sentido, até para a manutenção do rock, é preciso que as pessoas se dêem mais oportunidades de ouvir novos artistas. É claro que você não é obrigado a gostar de tudo, mas existe rock além do Iron Maiden, Deep Purple, Led Zeppelin etc. As vezes me pergunto também porque um cover do Iron Maiden ou Guns N' Roses lota, enquanto um festival de bandas autorais muitas vezes está quase vazio. Por melhor que seja um trabalho lançado por uma banda nova, se não houver o interesse e o apoio dos fãs de rock, a coisa nunca vai acontecer.



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