Dio: ele se chateou após Vivian Campbell pedir para fazer backing vocals
Por Igor Miranda
Fonte: Planet Rock / Ultimate Guitar
Postado em 19 de dezembro de 2019
O guitarrista Vivian Campbell relembrou seu período ao lado de Ronnie James Dio e sua banda, Dio, em entrevista ao Planet Rock Live transcrita pelo Ultimate Guitar. Além de recontar a história de sua saída, o músico destacou uma situação curiosa em que o cantor ficou chateado.
Campbell contou que sempre quis trabalhar seus backing vocals, o que não era aprovado por Dio. "Sempre quis cantar um pouco, sabe? Nunca quis ser um cantor de fato, mas eu queria desenvolver minha voz. E lembro que quando estava no Dio, perguntei a Ronnie se poderia fazer backing vocals. Ele se chateou, enfiou o dedo na minha cara e disse: 'Não! Ritchie Blackmore nunca canta, Tony Iommi nunca canta. Guitarristas não cantam, eles tocam guitarra!'", relatou.
A reação inicial de Vivian foi lembrar-se de outros guitarristas que cantam. "Daí, eu penso... uou... Rory Gallagher, outros tantos guitarristas que cantam e me influenciaram. Talvez não sejam grandes cantores, mas tinham personalidade", afirmou.
Logo após deixar o Dio, em 1986, Vivian Campbell integrou o Whitesnake. Embora tenha ficado para apenas uma turnê, o músico aprendeu muito sobre vocais ao lado de David Coverdale.
"Em contraste, David sempre apoiou muito. Ele curtia soul music, costumávamos cantar nos chuveiros antes dos shows... chuveiros separados (risos). Tinham aqueles vestiários, tocando em arenas na América, então, nem dava para ver um ao outro. Ele estava em outro chuveiro, porém, cantávamos harmonias de músicas de Sam Cooke e outras", comentou.
Campbell reforçou que, em sua visão, Coverdale não é exatamente um vocalista de som pesado. "Esses cantores de soul influenciaram a mim e a David. Acho que David é mais um cantor de blues/soul do que metal/rock, sabe? Ele tem um timbre muito rico em sua voz", afirmou.
O rompimento com Dio
Vivian Campbell deixou de integrar o Dio em 1986. Três anos depois, saíram o baixista Jimmy Bain e o baterista Vinny Appice. O guitarrista definiu essa situação como o rompimento completo da formação original.
"Ronnie nos fez uma promessa quando começamos. Trabalhamos a troco de quase nada, não ganhamos pelas vendas de discos, merchandising ou ingressos. E a banda fazia sucesso. O acordo de Ronnie era: 'não posso pagar muito, quero que a gente se apresente como banda'. Chamava Dio por causa do nome dele, mas compúnhamos e nos apresentávamos como banda. E havia uma química, magia nos primeiros discos", afirmou.
A promessa, segundo Vivian, era que a situação ficaria mais igualitária a partir do terceiro álbum, que foi "Sacred Heart" (1985). "O álbum chegou e eu era o que cobrava. Na época, Ronnie estava em um momento obscuro, foi quando ele e Wendy (Dio, esposa e empresária dele) se separaram. Ele não estava feliz. A gente se divertiu com os dois primeiros álbuns, mas no terceiro, ninguém queria mais estar no estúdio", disse.
Ao mesmo tempo, Campbell pressionava para que suas exigências fossem atendidas, já que, entre todos, ele era o músico mais jovem e de carreira menos consolidada no passado. "Fiz a primeira parte da turnê americana, voltei para visitar minha família porque estávamos para seguir para o Reino Unido, e recebi uma correspondência dizendo que eu seria demitido se eu não assinasse um contrato, em que eu deveria trabalhar a troco de nada. Foi ruim quando isso aconteceu. Ronnie e eu acabamos tomando a decisão errada de trocar farpas pela imprensa", afirmou.
Somente após o falecimento de Ronnie James Dio, em 2010, Vivian Campbell perdoou a situação. "Deixei para trás e, como resultado, pude voltar e ouvir aqueles discos, tendo uma apreciação diferente e o celebrando. O melhor é que tudo isso foi um legado tanto de Jimmy Bain, Vinnie e meu quanto de Ronnie. Era uma banda, por isso, fico feliz de tocar essas músicas (com a banda Last In Line)", concluiu.
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