Dave Grohl: por que ele raramente fala dos estranhos últimos dias de Kurt Cobain
Por Igor Miranda
Postado em 15 de outubro de 2020
Dave Grohl, antigo baterista do Nirvana e hoje líder do Foo Fighters, não é do tipo que fica falando muito sobre o passado - especialmente se o tema é o frontman Kurt Cobain. Grohl evita, de forma específica, fazer qualquer comentário sobre os últimos dias do músico, que cometeu suicídio em abril de 1994.
O site CheatSheet resgatou algumas raras entrevistas onde Dave Grohl abriu o coração sobre esse assunto. Em suas declarações, Grohl conta que sofre de verdade quando precisa abordar tais memórias, por isso não fala nesse tema, e revela que, apesar de ninguém ter previsto que Kurt Cobain se mataria, os dias finais do líder do Nirvana foram "estranhos".
O sucesso imediato e de enormes proporções do Nirvana após lançar o álbum "Nevermind" (1991) foi o primeiro fator de atenção em meio à relação pessoal entre os músicos. "Infelizmente, o Nirvana ficou grande demais rapidamente. Bandas são como famílias que passam por dores de crescimento desconfortáveis - e, se acontecer de uma vez, é demais para se lidar", afirmou Dave, em entrevista ao canal Off Camera, transcrita pelo Diffuser.
https://diffuser.fm/dave-grohl-kurt-cobain-off-camera/
A pressão exercida após o sucesso causou impacto em Kurt Cobain, que era descrito como um amigo fácil de se lidar antes da fama, apesar de seu histórico familiar complicado. O músico ficou viciado em heroína e passou a ter um comportamento volátil - mesma característica de seu casamento com Courtney Love.
Tudo isso, inclusive o relacionamento com a musicista do Hole, causou tensão na banda, conforme apontado por Grohl em bate-papo publicado pela Society of Rock. Os tempos finais de vida de Kurt trazem memórias negativas para o baterista, já que os conflitos eram frequentes, além, é claro, de remeterem ao suicídio.
Até mesmo a opção de Dave Grohl por não usar drogas, algo que ele decidiu ainda na adolescência, causava tensões internas, conforme ele próprio revelou à iHeart. Uma bola de neve se formou até que Grohl definiu os períodos finais de Kurt Cobain como "estranhos". "As coisas ficaram estranhas no final", declarou.
O último mês de Kurt Cobain
O Nirvana fez seu último show em 1° de março de 1994, em Munique, na Alemanha, cerca de um mês antes de Kurt Cobain cometer suicídio, em 5 de abril. Pouco tempo após a apresentação, Kurt foi internado em uma clínica de reabilitação, em meio a uma intervenção feita por Courtney Love e apoiada por amigos dele.
Depressivo, Kurt já havia tentado cometer suicídio no passado. Entretanto, em março de 1994, ninguém conseguia perceber que ele estava contemplando a ideia - ele apenas havia intensificado seu vício em drogas.
A internação em uma clínica de reabilitação, em Los Angeles, ocorreu em 30 de março de 1994, mas ele fugiu do local no dia seguinte e pegou um voo para Seattle - onde, curiosamente, sentou-se próximo a Duff McKagan, do Guns N' Roses, que também era de Seattle. Entre os dias 2 e 3 de abril, Kurt foi visto em vários locais da cidade, enquanto Courtney contratou um detetive para localizá-lo.
Cobain tirou a própria vida no dia 5 daquele mês, mas seu corpo foi descoberto apenas três dias depois, em sua antiga casa, por um eletricista que foi ao local para instalar um sistema de segurança.
Dave Grohl quase desistiu da música após a morte do amigo. Ele gravou sozinho o novo álbum do Foo Fighters, já em 1995, como uma forma de "exorcizar os próprios demônios" em meio a uma depressão que enfrentou naquele período.
No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação civil sem fins lucrativos, oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuitamente, 24 horas por dia. Qualquer pessoa que queira e precise conversar, pode entrar em contato com o CVV, de forma sigilosa, pelo telefone 188, além de e-mail, chat e Skype, disponíveis no site www.cvv.org.br.
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