Supla: quando música dele sobre masturbação foi censurada pela ditadura militar
Por Igor Miranda
Postado em 21 de maio de 2021
Antes de dar início à sua carreira solo, o vocalista Supla conquistou notoriedade em todo o Brasil com a banda Tokyo. O álbum de estreia do grupo de new wave/punk rock, "Humanos" (1985), trouxe músicas como "Garota de Berlim", que tem participação de Nina Hagen, e "Mão Direita", que foi censurada nos momentos finais da ditadura militar.
A faixa trazia uma letra com referências diretas a masturbação, com versos como: "Vou levá-la comigo pra jantar; Ela merece por alegrias que me dá; Ela é o consolo da minha solidão; Eu tenho a felicidade na palma da minha mão; Minha mão direita" e "Ela não reclama, só me dá prazer; Na hora de jogar ela sabe o que fazer; Nas telas de cinema me ajuda a sonhar; Com aquela estrela que jamais vou conquistar; Minha mão direita".
A temática da masturbação já foi abordada em diversos momentos da história do rock e até de outros estilos, por artistas e bandas como Alice Cooper ("Muscle of Love"), Nirvana ("Spank Thru"), Blink-182 ("M+Ms") e Cyndi Lauper ("She Bop"). Ainda assim, a canção da banda Tokyo foi censurada.
Supla relembrou dessa situação em uma sessão de perguntas e respostas nas redes sociais, transcrita pelo Uol Splash. O cantor definiu como "ridículo" o ato das autoridades restringirem a circulação da música em questão.
"Foi ridículo. Por isso eu sou totalmente contra um governo de ditadura militar. Totalmente. Porque eu acho que o artista tem que ser livre pra lançar o que quiser. Vai querer censurar arte agora, champz?", disse.
O vocalista relembrou Paulo Coelho, grande nome da literatura que também faz críticas à ditadura militar. "Vê o Paulo Coelho. Independentemente de você gostar dos livros dele ou não, vê o que ele tem a dizer sobre isso, sobre esse momento. Pesadelo total", declarou.
Em seguida, o "Papito" revelou que as inspirações para as músicas do Tokyo eram as vivências pelas quais os integrantes passavam. As composições da banda chegaram a ser elogiadas por grande ícone do rock nacional: Renato Russo, da Legião Urbana.
"Era o que a gente vivia, tá ligado? Falava sobre masturbação, sobre roupa X, sabe? As pessoas ficavam te medindo, ali, te julgando por você estar com o cabelo assim ou assado. E romântico também, de amor. Tinha uma música que chamava 'Programado', que era um cara que vinha do espaço em busca de amor, mas aqui ele não encontrava, então ele se sentia programado. Eu me lembro até do Renato Russo conversando comigo sobre esse som. Ele gostava", afirmou.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Qual banda do Big Four do thrash metal possui a discografia de estúdio mais extensa?
Ex-baterista do Black Sabbath considera Tony Iommi um dos músicos mais fáceis de lidar
O principal problema do novo documentário dos Raimundos, segundo Digão
Angra - como foi assistir a um show da banda em Campinas
Mortiis cita o Sarcófago entre as poucas referências do black metal no início dos anos 90
Metallica contribuiu para a ascensão do grunge e do Nirvana, segundo Kirk Hammett
A insana rotina matinal de Lemmy revelada pelo baterista do The Clash
Skid Row anuncia versão remasterizada de coletânea, que será lançada em novembro
O grupo vocal dos anos 1980 que perdeu espaço para a onda do rock nacional
Mark Knopfler e os três guitarristas que moldaram seu estilo inconfundível de tocar
A estrela de Hollywood que ajudou a transformar uma canção em clássico do Guns N' Roses
Nicko McBrain relembra o dia em que Ozzy Osbourne salvou sua vida
Devin Townsend cuida de um jardim para pagar o seu aluguel
Vivian Campbell relembra teste para entrar na banda de Dio; "Eles estavam chapados"
Ozzy Osbourne: os conselhos do Madman sobre masturbação
Red Hot Chili Peppers: músicas estão entre as mais ouvidas para masturbação
Prime Rock Brasil 2026 reúne gerações do rock nacional em noite histórica no Mineirão
"Vivo isso 25 horas por dia": na Globo, Supla nega ser personagem


