Eloy Casagrande: "o meio metal perdeu espaço por anos e hoje respira por aparelhos"
Por Igor Miranda
Postado em 10 de maio de 2021
O baterista Eloy Casagrande, do Sepultura, fez uma reflexão sobre o meio metal em entrevista ao podcast de Felipe Solari. Ao comentar sobre bandas novas de heavy metal que nem sempre são aceitas por parte do público, o músico declarou que o gênero "perdeu espaço" por muito tempo e hoje "respira por aparelhos".
Conforme transcrito pelo Whiplash.Net, a partir de um corte feito pelo canal Dona Dina, o assunto foi abordado por Eloy após ele admitir que usa apenas roupas na cor preta, por praticidade, mas que admira as bandas que fogem dessa estética. "Tem uma onda de metal mais moderna que os caras usam rosa, verde neon, e eu acho sensacional, pois quebra esse paradigma", disse o baterista.
Em seguida, ele aponta que os fãs mais conservadores vão reclamar dessa abordagem, mas contesta essa visão: "Deixa o cara usar o rosa dele e curtir metal, ou curtir qualquer coisa".
Felipe Solari destacou, na sequência, que o Sepultura sempre esteve aberto a outros estilos. O apresentador relembrou que o guitarrista Andreas Kisser costuma ser alvo de críticas por transitar entre diversos ritmos musicais.
Eloy, então, comentou que a vontade de cada músico precisa ser respeitada. "Parte da vontade da pessoa em flertar com outros estilos. Tem que respeitar a vontade do cara. Vivenciei o mesmo ao tocar com o Gloria, que fomos super vaiados pelos fãs mais conservadores em nosso show no Rock in Rio", afirmou.
O ato de vaiar uma banda só por não gostar do estilo musical dela foi definido como "uma grande burrice" por Casagrande. Para ele, esse tipo de situação mostra como o heavy metal tem perdido espaço - e pode não recuperar, já que parte dos fãs do gênero não estão abertos a bandas mais jovens.
"Primeiro, a pessoa não respeita a vontade do público que está ali com vontade de assistir àquele artista. Segundo, o meio metal foi perdendo espaço por muitos anos. É algo que respira por aparelhos hoje em dia. As pessoas tentam esconder isso, mas é a verdade. O mundo do metal é pequeno, todos se conhecem", declarou.
Em sua visão, "proibir essas bandas mais mainstream de ter acesso diminui ainda mais o meio metal. Boicota o próprio movimento". "O cara tocando com Chitãozinho e Xororó, com quem quer que seja, vai levar o metal para o mainstream. A pessoa vai ter curiosidade de procurar sobre o trabalho dele", comentou.
Ídolos do metal não pregavam isso
Ainda durante o bate-papo, Eloy Casagrande deixou claro que os grandes ídolos do rock e do metal não pregam o saudosismo que é colocado em prática por tantos fãs. O baterista declarou que muitos admiradores dessas bandas podem não estar prestando atenção nas mensagens contidas nas letras das músicas que tanto ouvem.
"Não sei como será o futuro do metal, do rock no Brasil. Não vejo com esperança, infelizmente. Até gostaria de trazer isso. (Abordar o assunto) É uma forma até de protestar, que as pessoas parem com tantos pensamentos retrógrados. O metal e o rock existem justamente por pregarem essa quebra de preconceitos, de paradigmas, de status quo", disse.
Ele complementa: "Vamos nos ligar. Se o cara gosta de bandas tradicionais, vai e lê as letras das músicas para entender do que se trata. Às vezes, o cara escuta uma banda e prega algo ao contrário. A banda prega liberdade, quebra de preconceitos, e o cara está ali, criticando outra banda, criticando tribos... não faz sentido. Falta o público do metal sair um pouco dessa zona metal e se abrir um pouco. Por que não? Não vai machucar".
O trecho em que Eloy Casagrande fala sobre o tema pode ser assistido no player de vídeo a seguir.
A entrevista completa concedida a Felipe Solari está disponível abaixo.
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