Como funciona a divisão de direitos autorais do Angra, segundo Bruno Valverde
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de janeiro de 2022
A história do Angra foi marcada por discussões e um dos fatores que historicamente sempre resultou em desavenças entre os integrantes era como dividir os direitos autorais das músicas. Em entrevista recente ao Ibagenscast, no YouTube, o atual baterista Bruno Valverde explicou como funciona essa divisão interna na banda hoje em dia. Confira a transcrição abaixo.
"A divisão de direitos autorais nos álbuns em que eu participei é justa. No ‘Secret Garden’ eu não tive participação significativa. Não fiz algo que mudou uma composição ou arranjo. Agora, no ‘ØMNI’ tem, então acho justo. Teve uma conversa em relação a isso quando estávamos lá na Suécia gravando. Falamos sobre cada parte das músicas e sabíamos tudo o que estava acontecendo. Temos tudo registrado. O clima estava relax em relação a isso. Pelo menos em comparação ao que eu ouço falar sobre outras épocas. Acho que as pessoas vão aprendendo. Tem uma maturidade maior para discutir sobre esses assuntos.
"Tem um amigo meu aqui que está no terceiro casamento. A esposa dele disse que ele era bem tranquilo. Ou seja, ele aprendeu algumas coisas né! Ele não vai repetir os mesmos problemas, porque sabia as raízes desses problemas. Nessa fase atual do Angra, não tem esse tipo de treta igual no passado. A gente conversa olho no olho. Existe o direito autoral em si. Tem o direito intelectual da obra e outro termo que é tipo o orgulho de ter participado. Tem muita gente que não considera partes de bateria como composição. Então como o batera faz? Precisa criar uma coisa magnífica, um groove tão peculiar, tipo ‘Nothing To Say’, do Ricardo Confessori, e aí não teria como dizer que a música não aconteceu através disso.
Houve coisas assim no ‘ØMNI’, tem um groove ali que pode ter sido marcante, um riff saiu daquele groove, então claramente é uma parte de composição. Se você falar de grana em si, não somos um Maroon 5, que vai ter uma música tocando no mundo inteiro e você ficará rico. Aquele dinheiro iria mudar sua vida. O que tem por trás é o orgulho. Você explorar e dizer que tem o dedo em uma música. É uma conversa mais madura do que ficar vendo porcentagens. Todo mundo entende o que está acontecendo e o lugar de cada um".
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