Bob Dylan explica a diferença entre suas composições e as de Paul McCartney
Por André Garcia
Postado em 27 de junho de 2022
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Vencedor do Nobel de Literatura em 2016, não há dúvidas de que Bob Dylan é um dos maiores compositores vivos. Mudando de estilo musical (e de personalidade) como uma cobra troca de pele, ele já foi intérprete de clássicos do folk, já fez canções de protesto, fluxo de consciência inspirado em poetas beatniks e até mesmo música gospel.
Conforme publicado pela Far Out Magazine, em entrevista para o The Huffington Post em 2011, o trovador americano foi perguntado sobre o motivo dele nunca tocar uma música do mesmo jeito duas vezes, como fazem os compositores de sua geração. Em resposta ele disse que não conseguiria nem se ele tentasse.
"O meu lance é diferente do daqueles caras. É mais desesperado. [Roger] Daltrey, [Pete] Townshend, [Paul] McCartney, Beach Boys, Elton [John], Billy Joel… Eles fazem álbuns perfeitos, para poderem tocá-los perfeitamente — exatamente da forma como as pessoas lembram deles. Meus discos nunca foram perfeitos, então não faz sentido tentar reproduzir eles. De qualquer forma, eu não sou um artista mainstream."
Mainstream é um termo habitualmente usado como o oposto do underground. Ou seja, se refere àquilo que está na grande mídia e agrada à maioria da população, geralmente apresentando um conteúdo acessível e familiar para as massas. Explicando o porquê de não se considerar um artista mainstream, Bob Dylan disse:
"Aqueles caras a quem você se refere todos tem sucessos notáveis. Eles começaram [com uma postura] anti-establishment, e agora estão no comando do mundo. Canções de celebração. Música para as pessoas na sala de jantar. Coisas do mainstream culturalmente impostas em um nível persuasivo."
Atualmente Bob Dylan está em turnê pelos Estados Unidos promovendo seu álbum mais recente, "Rough and Rowdy Ways" (2020). Com oito datas restantes, será encerrada em 6 de julho em Denver, Colorado, no Temple Hoyne Buell Theatre.
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