The Cure: Robert Smith comenta a produção do épico álbum "Bloodflowers"
Por André Garcia
Postado em 02 de novembro de 2022
Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
No decorrer dos anos 90, o The Cure passou por longos períodos de inatividade, por conta do inferno astral vivido por seu líder, Robert Smith. Além de suas crises existenciais, ele foi obrigado a passar mais tempo com advogados e em tribunais (arrastado pelos negócios da banda) do que trabalhando em novas músicas.
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Em toda a década, apenas dois álbuns foram lançados, "Wish" (1992) e "Wild Mood Swings" (1996) — enquanto o primeiro levou a banda a lotar estádios mundo a fora, alavancado pelo hit "Friday I'm In Love", o segundo além de fracassar comercialmente, foi detonado tanto pela crítica quanto pelos fãs.
O trabalho seguinte, "Bloodflowers" (2000), rompeu totalmente com seu antecessor. Seguindo mais a linha dos clássicos "Pornography" (1982) e "Desintegration" (1989), possui faixas longas de sonoridade épica, e é um daqueles discos que são como se todas as faixas formassem uma grande música.
Em entrevista para a Rolling Stone, Robert Smith comentou sua produção.
"Antes de gravarmos 'Bloodflowers, na verdade, eu queria que fosse um álbum curto. Como para mim 70 minutos de um único artista, quase sem exceções, é demais, defini uma meta de 45 minutos. [Após a gravação] mesmo reduzindo para nove músicas, ainda passava de uma hora."
"Vejo, olhando em retrospecto, que as músicas é que provavelmente precisavam ser encurtadas, mas eu achei que elas eram beneficiadas por sua duração. Eu editei 'Watching Me Fall', em casa, e reduzi para 6 minutos, mas não era a mesma música. Reduzi a primeira faixa, 'Out of This World', de 6:30 para 4:45, mas me disseram que a introdução continuava longa demais para as rádios."
"Eu curto aquele desenvolvimento lento, e não queria impor uma estrutura de 3 minutos a nada que eu estava compondo, porque teria sido uma idiotice. Chegamos a fazer umas duas canções pop na etapa das demos, mas elas soaram muito superficiais."
"A gravação de 'Bloodflowers' foi a melhor experiência que tive desde que fiz 'Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me'. Eu cumpri meus objetivos, que era fazer um álbum, curtir a gravação, e terminar com um conteúdo realmente intenso e emocional — sem me matar no processo!"
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