A nostálgica canção de Raul Seixas que propõe abolir a divisão entre o bem e o mal
Por Bruce William
Postado em 01 de fevereiro de 2023
Neste vídeo da série "Segundou com Raul", Júlio Ettore, jornalista e historiador do Rock Nacional, destrincha a canção "O Trem das Sete", lançada por Raul Seixas em seu álbum de 1974, "Gita".
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O título da música cita o trem, que é um elemento recorrente nas canções de Raul e que faz parte da nostalgia, das memórias de infância do cantor. Júlio explica no vídeo como e onde estas lembranças de fato aconteceram. "Mas essa letra não é só um punhado de lembranças de infância", explica Júlio. "Ela também é inspirada no ocultismo". O jornalista explica que anos antes de cantar sobre a Sociedade Alternativa, Raul já era influenciado pelo ocultista Aleister Crowley, e esta influência aparece em "O Trem das Sete" no trecho em que ele fala do bem e do mal: "Ói, olhe o mal / Vem de braços e abraços / Com o bem num / Romance astral". Júlio explica que Crowley já dizia isso, que uma nova espiritualidade deveria abolir esta divisão entre o bem e o mal, eram dois lados da mesma moeda.
Não apenas o Crowley dizia isto, mas na verdade este é meio que um padrão das religiões orientais. Neste ponto Júlio mostra no vídeo um trecho do livro "Raul Seixas - Uma Antologia" de Sylvio Passos & Toninho Buda: "É interessante observar que na cultura oriental a Divindade é composta da União entre o Bem e o Mal. Bem diferente da nossa cultura, que busca eliminar o Mal, o lado negativo da vida. Deus para os Orientais não é somente composto das coisas boas. Mas também do medo, da cegueira, da visão, da miséria, da dor, do sofrimento, etc. No final da música 'O Trem das Sete' nós temos novamente essa belíssima imagem da Unidade da Divindade".
Outros aspectos da canção descritos por Júlio, incluindo a ligação com o Novo Aeon ("Nova Era") e o que isto significa podem ser vistos no vídeo abaixo.
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