Eric Clapton sobre seu processo de criação: "Eu sou o mestre do clichê"
Por André Garcia
Postado em 11 de março de 2023
Quando era guitarrista do Cream, na segunda metade dos anos 60, Eric Clapton era chamado de Deus na Inglaterra. Mesmo assim, a gota d'água que o levou a acabar com a banda foi uma crítica negativa que o desdenhou como "o rei do clichê".
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Com o passar das décadas, Clapton parece não só não se importar mais com a crítica, como ter se afeiçoado ao infame rótulo. Em entrevista de 2015 para a Uncut, o Slow Hand definiu a si mesmo como "mestre do clichê".
"Ser um compositor é uma ocupação em tempo integral. Requer muita disciplina e tem que ser a primeira coisa na sua lista de prioridades: você entra em uma sala e tem que sair no final do dia com alguma coisa. Eu escrevo de forma tão esporádica que às vezes não sai nada por anos; mas eu tenho que tocar assim mesmo. Então, o que eu toco? Eu improviso em um formato de blues. Eu sento e toco um blues de 12 compassos todos os dias, ou a cada dois dias, e então, se sai algo que não pareça clichê — afinal de contas, como você sabe, eu sou o mestre do clichê — eu penso 'Isso pode ser útil'. Aí eu gravo no meu telefone para tentar desenvolver aquilo, mas muitas vezes não passa da primeira fase. Eu tenho dezenas de gravações de voz que nunca chegarão ao estúdio."
"Então, sim, eu sou um mensageiro do blues (ainda, creio eu). Se você olhar as playlists no meu iPod, é Leroy Carr, Howlin' Wolf, Muddy Waters, Robert Johnson, Son House... Tudo isso ao lado de Nina Simone, Ray Charles, Rachmaninov ou sei lá mais o quê."
O mensageiro do blues Eric Clapton segue firme e forte na ativa, e em abril vai ao Japão para seis apresentações no Nippon Budokan, em Tóquio. Ele contará com uma banda de apoio composta por Nathan East (baixo e vocal), Sonny Emory (bateria), Doyle Bramhall (guitarra e vocal), Chris Stainton (teclado), Paul Carrack (órgão, teclado e vocal), e as backing vocals Katie Kissoon e Sharon White.
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