Steve Harris defende "No Prayer for the Dying", oitavo álbum do Iron Maiden
Por João Renato Alves
Postado em 01 de agosto de 2026
Não é incomum que fãs do Iron Maiden se refiram a "No Prayer for the Dying" (1990) como o pior álbum da primeira passagem de Bruce Dickinson pelo Iron Maiden. Após a saída do guitarrista Adrian Smith e a entrada de Janick Gers, a banda recorreu a uma abordagem mais simples e direta, tentando resgatar características dos seus primórdios.
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À Metal Hammer, o baixista Steve Harris defendeu o resultado alcançado com a obra. "Acho que é um trabalho realmente forte. Saiu após uma sequência de discos e turnês mais ambiciosos. A banda se tornou algo tão grandioso que optamos por promover uma volta ao básico."
A seguir, o músico admitiu que o disco sofreu influências do debut solo do vocalista da banda, disponibilizado no mesmo ano. "Para ser totalmente sincero, acho que houve uma leve influência do álbum solo do Bruce, 'Tattooed Millionaire', no qual ele tentava uma sonoridade um pouco mais direta. Há algumas músicas ali em que ele canta de forma um pouco mais áspera. Pensei que poderia compor algo em que ele também pudesse usar aquele timbre mais rouco e agressivo."
Esse compromisso com a simplicidade estendeu-se à gravação do álbum em um celeiro reformado na propriedade de Steve. "Tentamos fazer com que soasse como um álbum ao vivo, por isso levamos o estúdio móvel dos Rolling Stones para gravar celeiro. Provavelmente deveríamos ter incluído som de plateia, pois teria soado mais como um álbum ao vivo de verdade - fizemos isso no vídeo de 'Tailgunner' e fez uma grande diferença."
Ironicamente, uma das músicas mais criticadas do álbum é justamente a que tem a sonoridade mais épica, como lembra Harris: "Detonaram 'Mother Russia', mas ouvi recentemente e pensei: 'Isso é muito bom'. Eu buscava uma sonoridade que remetesse a Sergei Prokofiev, compositor russo do século passado - algo que senti ter conseguido -, mas, mesmo assim, a faixa foi muito criticada."
Ainda assim, o líder da banda deixa claro não estar preocupado se alguém tem uma opinião negativa sobre o trabalho. "Não ligo para esse tipo de coisa. Lembro-me de quando o álbum 'A Passion Play', do Jethro Tull, foi detonado. Ian Anderson não queria mais tocar no Reino Unido. Se fosse comigo, eu teria abraçado a situação. Teria reunido todos os jornalistas numa sala e partido para cima deles - não fisicamente, mas verbalmente. Quando alguém diz que não gosta de algo, isso faz com que eu abrace aquilo ainda mais. Você tem de acreditar no que faz, não é?"
"No Prayer for the Dying" contém o único single do Iron Maiden a ter chegado ao topo da parada britânica até hoje: "Bring Your Daughter... to the Slaughter", originalmente composta como uma música solo de Bruce Dickinson. Apesar das críticas, ganhou discos de ouro nos Estados Unidos e Reino Unido, onde chegou ao segundo lugar na parada.
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