A importância de combater sexismo de Led Zeppelin e Aerosmith, segundo Kurt Cobain
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de novembro de 2023
Kurt Cobain, o visionário líder do Nirvana, falava apaixonadamente sobre a necessidade de diversidade e feminismo na música rock. À medida que o Nirvana ganhava fama, ele observava que o rock era predominantemente dominado por homens, ignorando talentosas artistas e grupos femininos como The Breeders e Riot Grrrls. Cobain usou sua influência para destacar essas artistas, advogando pelo reconhecimento que mereciam.
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De acordo com matéria da Kark post, como um ferrenho feminista, Kurt Cobain expressava sua frustração com o persistente tratamento sexista das mulheres, criticando as atitudes ultrapassadas ainda presentes na década de 1990. Ele clamava por mais músicas, artistas e escritoras mulheres em uma indústria dominada por homens. Cobain via o rock clássico como parte do problema, muitas vezes perpetuando subtons sexistas, mesmo em músicas de artistas respeitados como Neil Young e The Beatles.
Cobain buscou redefinir o rock com o som grunge do Nirvana, priorizando valores na música. Ele criticava o sexismo nas letras de bandas como Led Zeppelin e Aerosmith, que inicialmente apreciava em sua juventude. Sua conscientização sobre essas questões coincidiu com sua exposição ao punk rock, que ressoava com suas visões sociais e políticas, expressando seus sentimentos de raiva e alienação.
Um fã do vigor do rock clássico, a compreensão mais profunda de Cobain o levou a rejeitar a superficialidade e o sexismo do gênero. O punk iluminou um novo caminho para ele, enfatizando a inclusividade e a introspecção. Determinado a inspirar mudanças, Cobain tinha como objetivo energizar os jovens contra a apatia, o racismo, o sexismo e outros problemas sociais, apesar de suas limitações nessas áreas.
Sexismo no rock
Em uma entrevista ao Yahoo! Entertainment, transcrita por Igor Miranda, o lendário guitarrista Slash, da icônica banda Guns N' Roses, abriu o jogo sobre as frequentes alegações de teor sexista nas letras de algumas músicas do grupo. Canções como "Used To Love Her" e "Back Off Bitch" são frequentemente citadas como exemplos de composições cujos versos têm sido criticados por degradar as mulheres.
Inicialmente, Slash admitiu que nunca havia considerado a questão de perto, mas começou a refletir sobre o assunto após movimentos como o #MeToo, onde mulheres compartilham experiências de assédio e abuso sexual nas redes sociais, e o Time's Up, que trouxe à tona casos envolvendo grandes nomes de Hollywood. O guitarrista reconheceu que algumas letras do Guns N' Roses têm, de fato, um teor sexista, mas ressaltou que essas composições não foram feitas para serem levadas a sério.
"Nunca pensei nisso. Nunca passou pela minha cabeça. Pensei quando o #MeToo apareceu, passou pela minha mente (que envolveria) um monte de músicos, não de músicos em particular, apenas músicos. Na maioria das vezes, até onde sei, não foi assim. Não tivemos esses relacionamentos (predatórios) em particular com as garotas. Foi muito mais o contrário em alguns casos. De qualquer forma, algumas das músicas eram meio sexistas em sua maneira particular, mas não para serem levadas a sério. Não acho que eram maliciosas ou algo do tipo," afirmou Slash na entrevista.
Slash também abordou a evolução da abordagem em relação às mulheres nas letras de hoje, destacando a mudança na "atitude rock and roll" que bandas como o Guns N' Roses representavam. Ele observou que, embora o espírito rebelde ainda persista em bandas de metal e em jovens artistas com algo a expressar, muitas bandas contemporâneas estão se afastando do rock and roll tradicional.
"No entanto, aquela atitude não é algo fabricado e agora, nesses tempos em particular, muitas bandas e artistas estão fazendo coisas diferentes - e pouco disso é rock and roll. Não há nada contra o que se rebelar. Acho que tentar descobrir como ter atitude em suas músicas é, provavelmente, algo difícil para muitas bandas jovens, porque agora se trata de política novamente. Vamos ver no que isso se transforma," comentou o guitarrista durante a entrevista.
Slash concluiu a conversa reiterando que, embora algumas letras possam ser interpretadas como sexistas, a intenção não era maliciosa e que a essência do rock and roll reside na atitude rebelde que transcende gerações.
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