Quando Joan Jett, irritada, fez o nº 1 "marcando território" na guitarra de Alex Lifeson
Por Bruce William
Postado em 18 de julho de 2024
Volta e meia ressurge o tal incidente que envolveu o Rush e The Runaways em fevereiro de 1977, quando a banda feminina abriu para o trio canadense, em um evento no Cobo Hall de Detroit que contou também com Tom Petty e Cheap Trick.
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"Fomos tratadas tão bem por Tom Petty, que abriu para nós, e pelo Cheap Trick, que também abriu para nós, mas o Rush sabotou nosso set. Estávamos no Cobo Hall de Detroit. É um local grande. Eu vi eles jogando pedaços de papel, como folhas padrão de 8x10, no palco, arremessando-as como se fosse uma pizza. Eu estava usando botas de plataforma de 15 cm e tive que pular do riser da bateria de Sandy West. Pisei em um desses pedaços de papel e deslizei pelo palco em direção ao fosso da orquestra, onde estavam todos os fotógrafos. Nunca vou esquecer de vê-los estendendo as mãos com medo de que eu fosse cair, e de alguma forma me segurei no último minuto e fiz uma daquelas poses de rock star para um dos fotógrafos", contou recentemente Cherie Currie em entrevista ao Metal Voice, com transcrição do Brave Words.

Cherie prossegue: "Eu poderia ter ficado paralisada. Não estou exagerando, eu poderia ter me machucado muito se tivesse caído do palco. Então, é por isso que Joan (Jett) e eu, em particular, não gostamos muito deles porque eles não estavam nos protegendo, estavam nos sabotando naquela noite e eles ficaram sentados atrás do amplificador de Lita (Ford) dando risadas",
Lá em 2012, Kim Fowley afirmou que o Rush tratou suas contratadas de forma "terrível" ao falar sobre o acontecido, que conforme ele foi retratado no filme biográfico sobre a banda, "The Runaways" de 2010 (no Brasil saiu sob o nome "Garotas do Rock").

"O Rush tinha letras pseudo-intelectuais e coisas muito cabeça que eram muito HP Lovecraft, e isso nem sempre cai muito bem em Detroit. Acrescente a isso os interlúdios musicais complicados e os vocais gritados, e não é difícil entender o apelo das Runaways. Eles também não foram muito gentis com as meninas. Se você assistir ao filme, há um incidente no qual as garotas se rebelam contra um bando de caras mais velhos no mesmo show que elas. Era o Rush, e aquilo de fato acontecera, lamentavelmente, com elas", disse Kim.
A cena no filme, na verdade, tem um desfecho bem mais cruel, pois nela Joan Jett se vinga do Rush fazendo xixi na guitarra de Alex Lifeson. E conforme relatou o The Rush Forum, na cena a personagem da Joan, interpretada por Kristen Stewart, é ridicularizada por um grupo de Rock que não é identificado para quem a banda está abrindo. Mais tarde, Joan se vinga invadindo o camarim deles e urinando em uma de suas guitarras. E a Joan real não hesitou em identificar a inspiração para a cena na vida real: "Rush! Eles sentaram ao lado do palco e riram de nós. Este tipo de coisa me irrita...", disse ela, fazendo um trocadilho entre "piss me up" (irritar) com "piss" (ato de urinar).
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Mas houve quem não gostasse nem um pouco das Runaways e nem do Rush ao mesmo tempo, como foi o caso do jornalista Stephen Ford em texto publicado no Detroit News de fevereiro de 1977 e resgatado pelo Power Windows: "Sempre foi nossa teoria que, quando você tenta algo, nunca se contente em ser mediano: seja o melhor, ou o pior. Obviamente, as duas bandas de rock que se apresentaram na noite passada no Cobo Arena, os headliners Rush e o conjunto feminino de Los Angeles, The Runaways, como banda de apoio, concordam, mesmo que para ilustrar a última parte da teoria. Sem hesitação, foram tão ruins, e ruins com tanta convicção zelosa, que nos maravilhamos como duas bandas poderiam se apresentar consecutivamente sem nem um mínimo de habilidade. A lei das médias ditando que algo de valor tem que surgir de três horas de música foi completamente destruída(...)"

Depois de descascar o verbo nas Runaways, ele finaliza o texto falando apenas um pouco sobre o Rush: "O vocalista Geddy Lee continua soando como se tivesse jogado um jogo de futebol americano demais sem equipamento adequado; o guitarrista Alex Lifeson estuda o carisma de palco dos grandes guitarristas sem nunca prestar atenção em sua habilidade e o baterista Neil Peart deveria investir em aprender programação de computadores. Talvez a única coisa boa que podemos dizer sobre o show de ontem à noite é que não foi uma apresentação de duas noites".
O que Geddy Lee e Alex Lifeson tem a dizer sobre The Runaways
Geddy Lee, novamente conforme The Rush Forum, teria comentado o incidente em tempos recentes: "As Runaways tinham um grande complexo de inferioridade. Eu lembro daquele show. Tivemos problemas com nosso equipamento, então nossa passagem de som atrasou e as Runaways não conseguiram fazer a delas. Mas sempre fomos legais com quem abria nossos shows. Não tínhamos nenhum preconceito contra elas porque eram garotas, nada desse tipo de besteira. Sei que elas disseram que estávamos rindo delas enquanto tocavam, mas, francamente, eles eram ruins demais para gente ir lá ouvir. E, quarenta anos depois, elas têm uma história para contar sobre isso. Quem diria?".

E Alex Lifeson falou sobre o ocorrido durante a "Alex Comedy Road Stories", realizada no Randolph Theater em 7 de março de 2016, em um vídeo que pode ser visto no YouTube. "Elas abriram para nós algumas vezes e eram companheiros de gravadora, estavam na Mercury Records. Eu lembro da primeira vez que encontramos com elas, estávamos no Chico and Charlie's, um lugar mexicano onde faziam essas festas pós-show. Elas estavam lá e tiramos fotos com elas em um evento da gravadora. Você pode ver na foto que estamos sentados de um lado e elas do outro, assim", diz, fazendo uma careta de reprovação.
Prossegue Alex: "Eventualmente, acabamos fazendo algumas datas juntos. Sempre nos certificávamos de que o ato de abertura tivesse uma passagem de som, especialmente naquela época. Max Webster estava abrindo para nós em Detroit nas poucas vezes que tocamos com eles. Mas houve um show específico em que aconteceu algum problema e não houve tempo para a passagem de som deles. Max fez uns dois minutos de passagem de som e então The Runaways não tiveram tempo para a passagem de som", o que confirma a fala de Geddy.

"Diz a história que estávamos do lado do palco rindo delas, mas não lembro de estar no palco. Por que eu faria isso? Eu preferia estar no meu camarim fumando um baseado ou algo assim, se tivesse. Eram ocasiões raras. Não posso dizer o que a equipe estava fazendo na época. Mas segunda elas, encontraram nossas guitarras no camarim e urinaram nelas. Mas a verdade é que elas urinaram nas próprias guitarras", finaliza Alex entre gargalhadas.
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