A canção que já passou de um bilhão de views e fala de um local que o autor não conhecia
Por Bruce William
Postado em 04 de agosto de 2024
"Africa" é uma canção da banda americana de rock Toto, sendo a décima e última faixa do quarto álbum de estúdio da banda, "Toto IV", lançado em 1982. Escrita pelo tecladista David Paich e pelo baterista Jeff Porcaro, foi o segundo single do álbum a ser lançado na Europa em junho de 1982, e o terceiro nos Estados Unidos em outubro do mesmo ano pela Columbia Records.
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Além da popularidade que ela teve nas décadas de 1980 e 1990, com a música sendo certificada ouro pela RIAA em 1991, "Africa" experimentou um renascimento nas redes sociais durante meados e final dos anos 2010, relata o Wikipedia. Esse ressurgimento inspirou inúmeros memes na Internet e uma releitura do Weezer, que alcançou a posição 51 na Billboard Hot 100. Desde então, a música foi certificada oito vezes platina e tornou-se uma das mais vendidas de todos os tempos. Seu videoclipe oficial da época, dirigido por Steve Barron, estreou em 1983 e mostra a banda em uma biblioteca, exibindo diversos aspectos da cultura africana, já tendo ultrapassado a casa de um bilhão de visualizações no youtube.
E durante uma entrevista recente no podcast Booked on Rock, o autor do livro "Toto: The Band, Not The Dog!" Preston Frazier explicou como a banda inicialmente não pensou muito na música. E se dependesse deles, ela talvez nunca tivesse sido incluída no álbum marcante e definidor de carreira, "Toto IV". A transcrição é do Ultimate Guitar.
"Ninguém pensou que seria um sucesso. Eles nem iam gravar essa música. Jogaram no final [do álbum]. Nunca pensaram que seria um sucesso, não achavam que sairia. A gravadora escolheu os singles e não apostava que ela sairia. Foi uma composição principalmente de David Paich, com Jeff Porcaro contribuindo... Acho que ele contribuiu para essa música, especificamente. É um loop de fita que ele toca por cima, que ele fez. Mas sim, ninguém jamais pensou que essa música seria popular. Liricamente, a música, sobre o que é 'Africa'? Não sei. Não faz sentido. Mas tem uma sensação ótima", diz Frazier.
E outra parte da equação que levou ao sucesso da música foi seu criativo vídeo, e também o que um certo instrumento está tocando na música. "Então, você tem um vídeo acompanhando, com a banda sentada no chão tocando. A coisa que eu amo em 'Africa' também devo dizer é a seguinte: a linha de baixo. A bateria é ótima, a percussão com Lenny Castro e também Joe Porcaro tocando o marimba e tocando alguns outros instrumentos de percussão com Lenny Castro é fantástica. Brilhante. Mas você tem essa linha de baixo fantástica, que é impressionante".
Prossegue Frazier: "E essa foi também a última linha de baixo até 'Toto XIV' que David Hungate tocou com a banda. Então, você tem todos esses elementos. Depois você tem esse maravilhoso vocal de apoio de Timothy B. Schmidt e Bobby Kimball, que também funciona muito bem. Então, tudo se juntou. Eles nunca pensaram que seria um sucesso. E o que aconteceu, é a maior música deles... uma das maiores músicas deles".
De onde vem a ideia do nome "Africa" para a canção lançada pelo Toto em 1982?
Em entrevista para a Songfacts, Paich contou detalhes sobre a composição da famosa canção: "Lembro-me de ter visto muitos filmes sobre miséria e fome quando era criança, em fotos da África. Depois, vi alguns filmes e li muito a National Geographic, e sempre quis ir para a África. Então, romantizei essa história de um assistente social que vai até lá e se apaixona por trabalhar com o país e fazer o bem. Mas ele também se apaixona e tem que escolher entre ajudar as pessoas pelo resto da vida ou constituir família e fazer esse tipo de coisa", afirmou o tecladista, que também falou sobre a letra da canção, mais especificamente, sobre o trecho que diz 'cure what's deep inside'" (algo tipo "cure o que está em seu interior").
Prossegue o tecladista: "Há uma pequena metáfora envolvida aqui, porque eu estava na idade em que estava tão imerso em meu trabalho, 24 horas por dia, 7 dias por semana, que às vezes sentia que estava me tornando apenas uma vítima do meu trabalho. Havia um pouco de informação autobiográfica ali: ser consumido pelo meu trabalho, não ter tempo para sair e buscar o casamento, criar uma família e fazer todas as coisas que outras pessoas da minha idade faziam na época. Portanto, poderia ser [uma letra] semi-autobiográfica naquele momento".
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