Por que Barão Vermelho fez mais sucesso que Skid Row no Hollywood Rock, segundo Frejat
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de dezembro de 2024
O Hollywood Rock, um dos mais emblemáticos festivais musicais do Brasil, marcou gerações entre os anos 1975 e 1996. Apesar de ter contado com nomes internacionais de peso, o evento também revelou uma dinâmica peculiar que favorecia as bandas brasileiras no palco.
Em 1992, o Barão Vermelho, liderado por Roberto Frejat, brilhou em uma noite que também teve o Skid Row e o Extreme. Em conversa recente no podcast de Júnior Coimbra, Frejat analisou o motivo pelo qual a banda carioca cativou o público de forma mais avassaladora do que os astros internacionais.
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"Hollywood Rock foi consolidando uma percepção importante: o artista brasileiro dentro de um festival internacional era uma peça-chave", destacou Frejat. Para ele, o sucesso do Barão Vermelho na ocasião se deu principalmente pelo contraste entre os repertórios. "No Hollywood Rock de 1992, tivemos na mesma noite bandas como Extreme e Skid Row. Naquele período, o Extreme estava no topo das paradas com uma ou duas músicas de sucesso, e o Skid Row estava numa situação parecida. Enquanto isso, nós, artistas brasileiros, subíamos ao palco com um repertório de 45 minutos repleto de hits."
O cantor explicou que, enquanto as bandas internacionais dependiam de poucos sucessos para engajar o público, o Barão Vermelho apresentava uma sequência de músicas já consagradas no cenário nacional. "Era uma covardia. A gente começava o show e colocava o público numa adrenalina que ia do começo ao fim. Quando as bandas internacionais entravam, precisavam tocar várias músicas que o público mal conhecia até chegar nos sucessos esperados. Isso criava um contraste evidente."
Além do repertório, Frejat também pontuou a conexão emocional entre as bandas nacionais e o público. O Hollywood Rock, como evento patrocinado pela Souza Cruz, era tradicionalmente marcado pela forte presença de brasileiros na plateia. Para Frejat, isso favorecia artistas locais como Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso e Titãs, que cantavam na língua do público e falavam diretamente à realidade cultural do país. "Quando subíamos ao palco, existia essa identificação imediata. As pessoas cantavam junto desde a primeira música. Não era apenas um show, era um momento de celebração", afirmou.
Apesar do sucesso, Frejat relembrou os desafios enfrentados pelos artistas brasileiros em festivais de grande porte, tanto no Hollywood Rock quanto no Rock in Rio. Ele citou um episódio no Rock in Rio 2, em 1991, quando o Barão Vermelho deixou a programação por falta de garantias técnicas. "Eu disse: ‘Não vou subir no palco do Maracanã sem ter certeza do que vou encontrar lá.’ Essa falta de condições básicas era algo que precisava ser enfrentado para que os artistas brasileiros fossem tratados com o mesmo respeito e profissionalismo."
Com o tempo, a dinâmica mudou. Segundo Frejat, eventos como o Rock in Rio começaram a garantir espaço de destaque para artistas nacionais, transformando-os em atrações principais. O festival, que começou em 1975, percorreu um longo caminho até se consolidar como um dos principais eventos de música do Brasil. Após um hiato, retornou em 1988 e, entre 1990 e 1996, contou com edições anuais ou bienais. Apesar de sua grandiosidade, o Hollywood Rock enfrentava comparações constantes com o Rock in Rio, especialmente após a segunda edição do evento de Roberto Medina, em 1991.
O line-up de 1992, que incluiu Barão Vermelho, Skid Row e Extreme, exemplifica a mistura de atrações nacionais e internacionais. A performance das bandas brasileiras nesse contexto reafirmou a força do cenário musical nacional frente a artistas estrangeiros que, embora consagrados em seus países, enfrentavam o desafio de conquistar um público diverso.
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