Gene Simmons comenta onde o Kiss conseguiu ir bem mais longe que os Beatles
Por Bruce William
Postado em 26 de dezembro de 2024
Gene Simmons sempre reconheceu a influência dos Beatles no Kiss, especialmente no apelo visual. E ele comenta, durante entrevista com Michael Franzese como os Fab Four já apresentavam uma identidade tão forte que eram facilmente lembrados, mesmo quando ouvidos no rádio. Inspirado por essa força visual, Simmons e Paul Stanley decidiram criar algo ainda mais ousado, apostando em maquiagem e figurinos para garantir que o Kiss fosse uma banda inesquecível.
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"Queríamos acertar as músicas e tudo mais, mas notamos que as bandas que gostávamos, The Who e Jimi Hendrix e The Beatles, tinham visuais únicos, de forma que se você fechasse os olhos, ainda assim poderia vê-los. E havia muitos hits no rádio onde, se você fechasse os olhos, não tinha ideia de quem estava na banda e não se importava", disse Gene, em transcrição feita pelo Blabbermouth.
"Então a banda começou, mas nem todo mundo tem os genes, nem todo mundo pode correr uma maratona", prossegue. "Há algumas pessoas cujos genes, cujo DNA, são mais propensos a correr uma corrida curta, e é por isso que poucas bandas duram muito tempo. Os Beatles duraram sete anos - chocante. Nós ficamos por aí durante 52 anos, com diferentes membros e tudo mais, porque nem todo mundo dura."
Gene então teoriza que o diferencial do Kiss foi elevar o conceito visual ao ponto de torná-lo um fenômeno cultural. Ele relembra o momento em que, sem grandes pretensões, começaram a experimentar maquiagem comprada em uma loja popular. O resultado foi tão marcante que, dentro de poucos anos, o visual da banda não só conquistou milhares de fãs como deu início a uma indústria bilionária que Simmons admite nunca ter previsto.
Além do visual, o Kiss expandiu o impacto cultural ao unir música, imagem e performance de uma maneira que poucos tinham feito antes. Simmons aponta que, enquanto os Beatles marcaram sua era com hits atemporais, o Kiss encontrou seu espaço com shows grandiosos, que se tornaram a maior força motriz da banda, e fez com que a banda se mantivesse em relevância por mais de cinco décadas.
"Dentro de um ano e meio, ao final de 1973, estávamos sendo a atração principal no Estádio de Anaheim, antes da MTV, antes do digital. Não tínhamos nem mesmo discos de sucesso. Algo aconteceu. De repente, jovens começaram a falar sobre isso", comenta. "De uma forma muito estranha, o Kiss se tornou uma grande banda sem músicas de sucesso", acrescenta o baixista, explicando: "E era sobre os shows ao vivo. E se as pessoas estão curiosas, se você for ao YouTube, nós literalmente deixaríamos qualquer banda que ousasse nos colocar no palco com elas no chinelo."
Neste ponto, Gene revela um truque simples que a banda usava para deixar seu nome marcado na mente do público que estava nos shows: "Nós tínhamos um logo do Kiss com cerca de dois ou três metros de altura, essas luzes brilhantes que soletravam Kiss. E ninguém pendurava o nome da banda acima deles como em um show de Las Vegas. Isso não era considerado bacana, mas a gente achava que era. Assim, quando a próxima banda subia ao palco depois de nós, meia hora mais tarde, se você fechasse os olhos, ainda podia ver o logo do Kiss gravado nas pálpebras, se é que você me entende. Eles não tinham tempo suficiente para mexer no palco. Então, enquanto eles tocavam, o logo do Kiss ainda estava lá."
Ao ser perguntado se acredita que o Kiss teria o mesmo impacto musical e icônico sem as maquiagens, Gene respondeu: "Talvez não, mas há uma coisa... Continuo voltando à ideia de estar no lugar certo, na hora certa, com a coisa certa. Se você retira um desses três elementos, suas chances diminuem".
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