A disputa de Legião Urbana e Raul Seixas para entrar em trilha de série da TV Globo
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de dezembro de 2024
A música "O Senhor da Guerra", da Legião Urbana, protagonizou uma curiosa disputa na década de 1980 ao ser incluída na trilha sonora da série infantil "A Era dos Halley", exibida pela TV Globo entre dezembro de 1985 e maio de 1986. Inspirada na passagem do cometa Halley, a produção foi um marco da época, com direito a figurinos medievais usados pela banda em um especial televisivo, onde Renato Russo apareceu com um chamativo chapéu estilizado com chifres.
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De acordo com o livro "Discobiografia Legionária", de Chris Fuscaldo, a trilha sonora, lançada pela Som Livre e produzida por Guto Graça Mello, reuniu grandes nomes da música brasileira, como Tim Maia, Roupa Nova e Titãs. Contudo, a inclusão de "O Senhor da Guerra" no projeto guarda uma reviravolta interessante: a música que entrou originalmente no disco não era para ser da Legião Urbana, mas sim de Raul Seixas.
Um raro registro de áudio circula na internet, revelando que Raul Seixas chegou a compor uma canção para o especial. Ele apresenta a faixa, afirmando que foi feita em parceria com Lena Coutinho e dedicada ao cometa Halley. Na gravação, ele explica o conceito: "Eu acabei de fazer uma música agora e vou levar amanhã para o Rio. Eu vou ser o ‘Senhor da Guerra’. Posso até botar para você e você gravar. Eu acabei de fazer ontem. Eu sou o Senhor da Guerra", diz Raul, antes de tocar uma versão voz e violão.
Por razões desconhecidas, a música de Raul foi deixada de fora do disco. O produtor Guto Graça Mello, responsável pela trilha, declarou não se lembrar dos detalhes que levaram à substituição. Assim, foi a composição da Legião Urbana que acabou preenchendo o espaço.
Anos depois, a música retornou em outro contexto. Em 1992, para a coletânea "Música p/ Acampamentos", Renato Russo regravou "O Senhor da Guerra", agora com o título modificado para "A Canção do Senhor da Guerra". Essa nova versão foi gravada por Renato sozinho, com uso de bateria eletrônica e todos os instrumentos tocados por ele, conferindo à faixa um tom mais introspectivo e minimalista.
O álbum duplo, lançado após tensões entre a banda e a gravadora EMI, foi concebido como um registro autêntico da trajetória da Legião Urbana. Ele reuniu gravações ao vivo feitas entre 1985 e 1992, incluindo registros de programas de rádio e apresentações ao vivo, e buscava recontar a história do grupo de forma fiel, com mínima interferência em estúdio.
Renato Russo definiu a coletânea como um marco para a memória da banda, afirmando que o material tinha o objetivo de "ficar para a eternidade". A inclusão de "A Canção do Senhor da Guerra" reforçou o caráter emblemático do projeto, dando nova vida à faixa que havia marcado um inusitado momento da história da banda.
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