Brian May se junta a Jimmy Page nas críticas à IA na música; "temo que já seja tarde demais"
Por Bruce William
Postado em 03 de março de 2025
A preocupação com o impacto da inteligência artificial na música tem mobilizado grandes nomes do rock. Além da declaração contundente de Jimmy Page sobre os riscos da IA para a criatividade e os direitos dos artistas, Brian May também se posicionou contra o uso indiscriminado da tecnologia. O guitarrista do Queen alertou que o avanço da IA pode tornar inviável a produção musical no futuro, afirmando temer que já seja tarde demais para conter esse movimento.
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May manifestou seu apoio à campanha do Daily Mail contra uma proposta do Partido Trabalhista britânico que permitiria o uso de material protegido por direitos autorais no treinamento de IA, a menos que os detentores dos direitos optassem formalmente pela exclusão. Em entrevista ao jornal, replicada pelo Ultimate Classic Rock, ele criticou duramente a situação: "Temo que já seja tarde demais - esse roubo já foi realizado e é imparável, assim como tantas outras invasões que os bilionários arrogantes da IA e das redes sociais estão impondo às nossas vidas. O futuro já está mudado para sempre."
O músico ressaltou que ainda há espaço para conscientizar o público sobre os prejuízos que a IA pode causar à indústria musical, mas alertou que, sem restrições, o cenário pode se tornar insustentável. "Aplaudo essa campanha por alertar o público sobre o que está sendo perdido. Espero que ela tenha sucesso em frear isso, porque, se não, ninguém mais conseguirá viver de música."

Já Jimmy Page adotou uma abordagem mais pessoal ao criticar a inteligência artificial, refletindo sobre sua trajetória desde os dias como músico de estúdio até a ascensão com o Led Zeppelin. Em um texto publicado em suas redes sociais, o guitarrista destacou como seu trabalho sempre foi baseado em improvisação e criatividade genuína, qualidades que, segundo ele, a IA jamais poderá replicar.
"Se, na época em que eu fazia sessões de estúdio, alguém tivesse tomado meus riffs sem crédito ou pagamento, isso seria considerado roubo. O mesmo padrão deve valer para a IA." Ele defendeu que sejam criadas políticas para proteger os artistas contra o uso não autorizado de suas criações, afirmando: "Devemos celebrar e preservar o toque humano na arte - as imperfeições, as emoções, as histórias por trás de cada nota e cadência."

A crescente oposição de músicos renomados à IA não se limita a May e Page. Em janeiro, Paul McCartney também se manifestou contra os planos do governo britânico e cobrou uma posição mais firme em defesa dos artistas. "Somos as pessoas, vocês são o governo! Seu trabalho é nos proteger." Além disso, em 2023, mais de 200 artistas assinaram uma carta aberta organizada pela Artist Rights Alliance, exigindo que desenvolvedores de IA mudassem a forma como utilizam músicas para treinar a tecnologia. Entre os signatários estavam Pearl Jam, Bon Jovi, R.E.M., Peter Frampton, Elvis Costello e Stevie Wonder.
No documento, os músicos alertaram que o uso descontrolado da IA pode criar uma "corrida para o fundo do poço", desvalorizando a música e impedindo que os artistas sejam devidamente remunerados. Com declarações cada vez mais enfáticas de grandes nomes da indústria, o debate sobre o impacto da IA na arte está longe de ser encerrado.

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