Jimmy Page faz duras críticas ao uso da IA: "Isso não é inovação, é exploração"
Por Bruce William
Postado em 01 de março de 2025
Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, publicou uma declaração contundente contra o uso da inteligência artificial (IA) na criação musical. Em um texto divulgado em suas redes sociais, o músico argumenta que a arte genuína nasce da experiência humana e que os algoritmos jamais poderão replicar essa essência. Além disso, ele fez duras críticas à apropriação de obras por sistemas de IA sem consentimento dos artistas, classificando essa prática como exploração.
Confira a tradução do texto na íntegra:
"Nos disciplinados estúdios de Londres dos anos 1960, aprimorei minha arte como músico de sessão, emprestando minha guitarra para uma infinidade de artistas de diversos gêneros. Essas incontáveis horas, muitas vezes três sessões diárias de três horas, foram mais do que apenas trabalho; foram um verdadeiro cadinho de criatividade, colaboração e inspiração incessante.
Eu precisava criar e conceber riffs e figuras melódicas imediatamente, sem interromper o fluxo do trabalho que estava sendo gravado com os outros músicos e o artista.
Essa jornada, do anonimato do trabalho de estúdio aos palcos globais com o Led Zeppelin, não foi um caminho pavimentado por algoritmos ou conjuntos de dados. Foi uma trajetória marcada por improvisação espontânea e a centelha inquantificável da engenhosidade humana. A alquimia que transformou um riff único em um hino estava gravada na alma coletiva da banda — uma sinergia que nenhuma máquina pode emular.
Hoje, enquanto a inteligência artificial busca imitar e monetizar a criatividade, estamos diante de uma encruzilhada. A arte e a música geradas por IA, sintetizadas a partir de obras humanas já existentes, carecem da essência visceral que vem da experiência vivida. São apenas ecos vazios, desprovidos das lutas, triunfos e alma que definem a verdadeira arte.
Além disso, as implicações éticas são profundas. Quando a IA raspa o vasto tecido da criatividade humana para gerar conteúdo, frequentemente o faz sem consentimento, atribuição ou compensação. Isso não é inovação; é exploração.
Se, durante meus dias de músico de sessão, alguém tivesse pegado meus riffs sem reconhecimento ou pagamento, isso seria considerado roubo. O mesmo padrão deve se aplicar à IA.
Precisamos defender políticas que protejam os artistas, garantindo que seu trabalho não seja drenado para o vácuo do aprendizado de máquina sem a devida consideração. Vamos celebrar e preservar o toque humano na arte — as imperfeições, as emoções, as histórias por trás de cada nota e cadência.
Ao defender a santidade da criatividade humana contra o avanço da IA, protegemos não apenas os direitos dos artistas, mas a própria alma do nosso patrimônio cultural."

Além da crítica de Page, o debate sobre o impacto da IA na música ganhou força com um protesto coletivo de mais de 1.000 músicos, incluindo Kate Bush e Cat Stevens. Conforme relatou a Reuters, eles lançaram um álbum silencioso intitulado "Is This What We Want?", uma resposta às propostas do governo britânico para flexibilizar as leis de direitos autorais.
As novas diretrizes permitiriam que empresas de tecnologia treinassem IA usando obras de artistas sem necessidade de pagamento ou consentimento, exigindo que os criadores optassem ativamente por excluir suas músicas desse processo. Para os músicos, isso representa uma ameaça direta ao sustento da categoria e uma subversão dos princípios básicos das leis autorais.
O posicionamento de Page reflete a crescente preocupação entre músicos e compositores, que buscam um equilíbrio entre a inovação tecnológica e a preservação dos direitos dos criadores. Afinal, como ele mesmo ressalta, a arte não pode ser reduzida a dados — é o resultado da alma e da experiência humana.
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