O guitarrista que Eric Clapton sentia repulsa por ser a "coisa mais pesada" que ouviu na vida
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de abril de 2025
No fim dos anos 1960, o blues britânico havia se tornado sinônimo de virtuosismo. Eric Clapton, recém-saído do Cream, já era reverenciado como um dos grandes guitarristas da época. Tocando ao lado de nomes como Jimmy Page e Jeff Beck, ele ajudou a definir o som pesado do rock inglês, mas sempre mantendo os dois pés fincados nas raízes do blues. Apesar disso, houve um artista que, mesmo vindo da tradição que Clapton tanto admirava, o incomodou profundamente em um primeiro momento.
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"A princípio, a música quase me repeliu. Era tão intensa, e aquele homem não fazia a menor tentativa de suavizar o que queria dizer ou tocar. Era hardcore — mais do que qualquer coisa que eu já tivesse ouvido", revelou Clapton, ao recordar seu primeiro contato com as gravações de Robert Johnson, ainda nos anos 1930. A entrevista foi resgatada pela Far Out.
A declaração foi feita com reverência, mas também com uma rara vulnerabilidade. Clapton, conhecido pelo domínio técnico e pela elegância sonora, se viu abalado com a crueza de Johnson. "Depois de algumas audições, percebi que, de certa forma, eu tinha encontrado o mestre. E seguir o exemplo desse homem seria a missão da minha vida", confessou.
Quem foi Robert Johnson?
Robert Johnson, nascido no Mississippi em 1911, é uma das figuras mais enigmáticas da história do blues. Gravou apenas 29 músicas conhecidas, em sessões realizadas em 1936 e 1937, mas sua influência ecoa até hoje. Com letras marcadas por temas de perda, traição e pactos sobrenaturais, foi considerado por muitos o "pai do blues moderno".
A lenda em torno de sua figura — incluindo o suposto pacto com o diabo em uma encruzilhada — só reforçou seu impacto cultural. Johnson morreu aos 27 anos, em circunstâncias misteriosas, deixando um legado que atravessou o tempo e redefiniu o modo como se entende emoção e intensidade na música popular.
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