Clapton sobre fama nos anos 60; "Sim, eu achei justo me chamarem de Deus"
Por Bruce William
Postado em 13 de abril de 2025
Durante uma entrevista resgatada pela Guitarist Magazine, Eric Clapton comentou sobre o famoso bordão "Clapton is God", que surgiu em pichações nos muros de Londres nos anos 60. Sem rodeios, o guitarrista admitiu: "Achei que era justo, pra ser sincero. [risos] Eu era mortalmente sério com o que fazia. Todo mundo parecia estar na música pra aparecer na TV ou pra pegar garotas. Eu achava que estava numa missão: queria apresentar o blues ao mundo. Então, em certo sentido, pensei: 'Sim, eu sou Deus, faz sentido'."

Ele reconheceu, no entanto, o quanto esse sentimento de superioridade o tornou uma pessoa difícil: "Minha cabeça era enorme. Eu era insuportavelmente arrogante, nada divertido de se conviver, muito superior e muito julgador. Não tinha paciência pra nada que não se encaixasse no meu esquema."
Clapton também falou sobre seu comportamento errático nos primeiros anos de carreira. Apesar de ter marcado presença nos Yardbirds e nos Bluesbreakers, ele revelou que passou pouco tempo em cada banda: "Com o John Mayall, eu estava só meio presente. Era tão irresponsável que às vezes simplesmente não aparecia nos shows. Foi assim que o Peter Green acabou sendo chamado."
Sobre o Cream, ele foi direto: "Foi um erro glorioso. Achei que seria um trio de blues, mas acabou sendo algo completamente diferente. Eu não tinha força pra controlar a banda. O Jack e o Ginger dominavam tudo. No fim, só fui com a maré e aproveitei. Mas não era o que eu tinha imaginado."
Anos depois, Clapton chegou a procurar John Mayall para se desculpar: "Fui vê-lo ano passado pra acertar as contas. Olhei pra trás e vi como me comportei mal."
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