Quando o Ramones se perdeu — e o álbum que trouxe a banda de volta aos trilhos, segundo Joey
Por Bruce William
Postado em 04 de maio de 2025
Durante os anos 70, o Ramones foi mais do que apenas uma banda punk: era a cara de uma nova atitude. De estética crua, repertório direto e shows barulhentos, o grupo virou símbolo da cena de Nova York, mesmo sem grandes números de vendas. Os discos importavam, mas a força do Ramones estava principalmente no palco, no suor e no volume.
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Com o tempo, vieram as pressões de gravadora, mudanças de formação e atritos internos. O clima nos estúdios era tenso, e Joey Ramone não escondia a frustração. As gravações ficaram cada vez mais distantes do espírito original da banda. Segundo ele, a interferência da Sire Records atrapalhava mais do que ajudava, e os discos passaram a carregar um peso que não vinha só das guitarras.
Após experiências estressantes — como a produção meticulosa de "End of the Century" com Phil Spector, que Johnny Ramone comparou a uma "tortura chinesa" — o grupo parecia longe de reencontrar o rumo. Foi só em "Too Tough to Die", de 1984, que as coisas mudaram.
Joey Ramone chamou o álbum de "um verdadeiro avanço". Para ele, era como voltar ao começo: "Estávamos de volta ao que fazíamos, rock and roll empolgante, sem interferência da gravadora", disse, em fala resgatada pela Far Out. A banda recuperou a autonomia criativa e buscou uma sonoridade próxima dos primeiros discos, com gravações que soassem quase como um show ao vivo.
O título do álbum ("duro demais para morrer") dizia muito sobre o momento. Em vez de ceder às pressões por algo mais polido ou comercial, o Ramones dobrou a aposta na crueza que os havia definido no início. A volta desse espírito fez com que "Too Tough to Die" fosse visto como uma espécie de reconexão com a essência da banda.
Joey Ramone afirmou que o disco representou uma virada. "Foi um verdadeiro recomeço porque voltamos aos trilhos com esse álbum", declarou. Em meio a anos marcados por conflitos e incertezas, "Too Tough to Die" se tornou, para ele, o momento em que o Ramones se reencontrou — e mostrou que ainda tinha gás para seguir em frente.
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