O violonista que Neil Young comparou a Jimi Hendrix e que criou problemas para Jimmy Page
Por Bruce William
Postado em 10 de junho de 2025
Neil Young já percorreu inúmeros caminhos musicais: folk, country, punk, grunge, rockabilly e até synthpop. Mas, apesar das metamorfoses, sempre manteve forte ligação com o violão, com a canção introspectiva e com o espírito das raízes folk. Em 2014, durante um show no Carnegie Hall, ele revelou quem mais o inspirou nesse universo — e não economizou elogios.
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O nome citado foi Bert Jansch, guitarrista escocês que brilhou tanto em carreira solo quanto no grupo Pentangle, referência do folk britânico. Young contou que conheceu sua música nos anos 1960, quando andava sem rumo, dormindo em sofás e pisos de casas de amigos. Em uma dessas noites, ouviu um LP de Jansch pela primeira vez. "Ele era um dos maiores violonistas acústicos que já existiram. Provavelmente como o Jimi Hendrix na guitarra elétrica", disse Neil, diante do público, conforme relatou a Far Out.
Young descreveu o som do escocês como algo perfeito e envolvente: "Tudo que ele tocava era perfeito, as notas iam pra cá e pra lá, tudo com uma facilidade impressionante, lindo, como se a gente pudesse simplesmente flutuar ouvindo." Mas não era só a sonoridade que o encantava, as letras também exerciam forte impacto. "As palavras dele vinham de outro mundo. Ele abriu portas pra todo mundo cantar sobre o que quisesse."
A admiração não era só de Neil. Jimmy Page chegou a se inspirar — e a se complicar judicialmente — por ter usado estruturas de faixas como "Black Water Side" e "The Wagoner's Lad" em canções do Led Zeppelin. Paul Simon e Johnny Marr também citaram Jansch como referência essencial. Discreto no palco e dono de um estilo cheio de nuances do blues, ele foi figura central do renascimento folk britânico, a ponto de, por um período, vender tanto quanto Bob Dylan nas lojas especializadas da Charing Cross Road.
Nos últimos anos de vida de Jansch, Neil Young esteve por perto. Eles excursionaram juntos em 2010, e em 2014, três anos após sua morte, Young gravou uma versão de "Needle of Death" no disco "A Letter Home". Um tributo direto àquele que, para Neil, tocava como poucos — e dizia o que muitos ainda nem ousavam pensar.
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