O guitarrista que fazia tudo que Eddie Van Halen sonhava, de acordo com Frank Zappa
Por Bruce William
Postado em 31 de julho de 2025
Poucos músicos na história foram tão imprevisíveis, exigentes e geniais quanto Frank Zappa. Ao longo de sua carreira, ele lançou dezenas de álbuns que exploravam uma mistura improvável - e geralmente desconcertante - de rock, jazz, música eletrônica, concreta, clássica e sátira social. Mas nada disso o impediu de cobrar dos músicos ao seu redor um grau técnico praticamente inatingível.
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Steve Vai foi um dos que toparam o desafio. No início dos anos 1980, ainda com pouco mais de 20 anos, entrou para a banda de Zappa como guitarrista, e o impacto psicológico foi devastador. "Eu estava em Montreal, em 1980, e simplesmente tive um colapso completo, uma crise de ansiedade que durou um ano e meio. Eu era puro medo", contou Vai. O pânico foi causado pela pressão constante: Zappa mudava o repertório a cada show e esperava que todos soubessem executar de memória dezenas de composições absurdamente complexas.
Não era exagero. Zappa compunha peças com tamanha densidade rítmica que assustavam até músicos experientes. Um dos exemplos mais simbólicos é "The Black Page #1", criada originalmente como solo de bateria para Terry Bozzio. A música recebeu esse nome por causa da aparência visual da partitura, tão carregada de notas que parecia uma página preta. "Os músicos começaram a temer receber as partituras", contou o baterista Shawn Crowder, "pois eram tão densas que viraram motivo de pânico."
Apesar de tudo isso, Steve Vai conquistou não só o respeito como a admiração de Zappa. Em entrevista à Guitar World em 1982, ele fez um elogio direto e técnico: "Acho que ele é um ótimo guitarrista. Ele faz tudo na guitarra que eu não faço. Ele faz todos os barulhos típicos da Stratocaster e faz tudo que Van Halen sempre sonhou e mais um pouco. Ele lê partituras. Ele toca colcheias que eu não toco. E ele faz todas essas coisas que eu não faço; e acho que nossos estilos são meio complementares."
Vindo de um perfeccionista que aterrorizava músicos com partituras indecifráveis, isso não era pouca coisa. E Steve certamente se sentiu muito orgulhoso de ser elogiado, pois de seu lado, ele também mantinha um respeito e admiração muito grande por Zappa: "Ninguém chegou perto de alcançar o som anárquico que Frank criou. Em 'Freak Out!', eu simplesmente não aguento com aquelas faixas com títulos malucos como 'Who Are The Brain Police?' e 'The Return Of The Son Of Monster Magnet'. A partir daí, eu ouvia todos os álbuns dos Mothers [of Invention] que pudesse: 'Absolutely Free', [...], depois 'We're Only In It For The Money', 'Uncle Meat' e vários outros. Eu também não resisti e comprei os álbuns solo de Zappa, coisas como 'Bongo Fury'. [...] Aí quando fui para Los Angeles, em 1978, comecei a transcrever músicas para ele. Alguns anos depois, quando perguntei a Frank se eu poderia entrar na sua banda, ele perguntou: 'Por quê?' E eu respondi: 'Eu conheço cada uma de suas músicas. Já as ouço desde sempre."
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