O guitarrista que para Frank Zappa colocava Eddie Van Halen no chinelo
Por Bruce William
Postado em 07 de setembro de 2024
Frank Zappa é considerado por especialistas um dos músicos mais importantes e influentes do século XX. Sua obra é caracterizada por experimentalismo, sátira e humor, e nela estão mesclados Rock, Fusion, Jazz, Eletrônica, Música Concreta e Música Clássica. Zappa lançou dezenas de álbuns ao longo de sua carreira, e dentre eles estão trabalhos intrigantes e completamente diferentes entre si tais como "Freak Out!", "Absolutely Free", "We're Only in It for the Money", "Hot Rats", "Joe's Garage", "Sheik Yerbouti" e "You Can't Do That on Stage Anymore".
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Outra característica marcante de Frank Zappa era a criação de peças com graus absurdamente insanos de serem tocados, como por exemplo "The Black Page #1", lançada em 1976 no álbum ao vivo "Zappa in New York". Ela havia sido escrita originalmente como um solo de bateria para Terry Bozzio, e ganhou esse nome justamente baseado na reação dos músicos que trabalhavam para Zappa: "Ele era conhecido por compor músicas tão difíceis que os músicos contratados para gravá-las começaram a temer receber as partituras - tão densas que eram chamadas de black pages [páginas pretas]", contou o baterista Shawn Crowder.
"The Black Page #1" é considerada tão complicada que até Eddie Van Halen teria se intimidado com ela. Pelo menos foi o que contou Dweezil, filho de Frank: "Trabalhei com Edward Van Halen na primeira gravação que fiz quando tinha 12 anos, e depois prossegui próximo dele ao longo dos anos. E houve essa experiência realmente interessante e divertida quando ele veio a um dos meus shows em 2010 (...) Depois do show ele perguntou: 'Qual é aquela 'música das panquecas'? O que você está tocando lá?' E eu tive que tocar essa parte realmente difícil e mostrar para ele na guitarra. Eddie disse: 'Eu nem consigo entender como você está tocando isso. Eu nunca poderia tocar assim'."
Outro músico gigante que confessadamente se sentiu intimidado por Zappa foi Steve Vai, que começou sua carreira ainda nos anos oitenta, quando ele estava na casa dos vinte anos, e tocando justamente na banda de Zappa: "Eu estava em Montreal, em 1980, e simplesmente tive um colapso completo, uma crise de ansiedade que durou um ano e meio. Eu estava em pânico, eu era puro medo. Havia um medo que estava lá ao fundo, mas que simplesmente tomou conta de mim - e eu não sabia o que era aquilo. Eu não estava usando drogas, nada. Eu enfrentei o medo de enlouquecer quando era novo", relatou Steve, que ficou neste estado justamente pelo perfeccionismo e imprevisibilidade de Zappa, que muitas vezes alterava completamente o repertório dos shows, exigindo que seus músicos soubessem tocar dezenas de composições complicadíssimas.
Mas, por outro lado, Steve ganhou a total aprovação de Zappa, que disse para a Guitar World em 1982, conforme resgate feito pela Far Out: "Acho que ele é um ótimo guitarrista. Ele faz tudo na guitarra que eu não faço. Ele faz todos os barulhos típicos da Stratocaster e faz tudo que Van Halen sempre sonhou e mais um pouco. Ele lê partituras. Ele toca colcheias que eu não toco. E ele faz todas essas coisas que eu não faço; e acho que nossos estilos são meio complementares", disse o exigente e genial músico.
Diz ainda a Far Out: "Além de apreciar Vai porque 'ele é uma pessoa musical totalmente treinada', os dois também se tornaram influências mútuas devido ao amor compartilhado pelas formas de levar a proficiência musical ao limite. Em seu mundo, essa era a chave para explorar técnicas não convencionais, composições complexas e a fusão de gêneros, criando uma música que desafiava os limites tradicionais e os fazia pensar de maneira diferente sobre som e estrutura."
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