Steve Vai relembra a rotina de tocar com Frank Zappa: "Me moía psicologicamente"
Por André Garcia
Postado em 16 de outubro de 2023
Steve Vai começou sua carreira como músico profissional aos 20 anos, em 1980, já encarando uma verdadeira prova de fogo: acompanhar o insanamente complexo e exigente cientista louco musical Frank Zappa. Terceiro guitarrista da banda, ele era creditado como o encarregado de tocar as partes impossíveis.
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Conforme publicado pela Guitar, em entrevista para Chanan Hanspal ele relembrou aquela gratificante, mas massacrante rotina.
"Uma coisa que eu costumava fazer é algo parecido com leitura dinâmica. Eu tentava chegar ao ponto em que conseguia fazer uma leitura dinâmica lenta. Aí então gravava, colocava os fones de ouvido e ia dormir. Tinha um temporizador na fita cassete para ligar no meio da noite e tocar aquelas melodias repetidamente em minha cabeça enquanto eu estava dormindo. Porque eu pensei, 'Talvez isso alcance meu subconsciente'."
"E eu dei conta do recado! Olho para trás e penso, 'Como eu consegui?' Pô, eu era apenas um garoto. Eu tinha 20 anos na primeira turnê. Foi difícil. Porque com o Frank, [...] íamos direto do aeroporto para a passagem de som [...] até a abertura dos portões. E durante a passagem de som, Frank simplesmente mudava as coisas e escrevia novas músicas — aquilo era constante. Você saía do palco depois da passagem, e tinha só 45 minutos até começar o show."
"Tínhamos cerca de 80 músicas [no repertório], e tocávamos umas 15 em no show. Então o Frank escrevia o setlist cinco minutos antes de subirmos ao palco, mudava todas as noites. E 60% das músicas eram partes de guitarra mortalmente desafiadoras. Depois terminávamos o show, dávamos uma pausa e fazíamos outro; muitas vezes, eram dois shows em uma noite. Quando você voltava para o hotel, já era 1 da manhã. Eu tinha que usar qualquer tempo livre para manter todas as músicas na ponta dos dedos, então não estava dormindo e estava sob estresse. Estava estressado porque não sabia que música ele ia querer tocar. [...] Eu tinha que manter todas frescas. [...] Foi um ótimo treinamento, mas me moía psicologicamente."
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