O hit de Paul McCartney que falou do Domingo Sangrento antes de "Sunday Bloody Sunday"
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de agosto de 2025
Muito antes de Bono e o U2 transformarem "Sunday Bloody Sunday" em um hino político mundial, Paul McCartney já havia lançado uma música inspirada no mesmo massacre ocorrido em 30 de janeiro de 1972, em Derry, na Irlanda do Norte. Segundo o site Aventura na História, o episódio, conhecido como Domingo Sangrento, marcou a história do país quando soldados britânicos abriram fogo contra uma manifestação pacífica, deixando 14 mortos e dezenas de feridos.
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No livro "As Letras", McCartney relembra o impacto que o acontecimento teve em sua vida. "Foi muito perturbador ver as cenas de uma manifestação perfeitamente pacífica que acabou dando errado. Parecia que os nossos soldados tinham agido indiscriminadamente e atirado em pessoas inocentes", escreveu. Para ele, que cresceu em uma família dividida entre católicos e protestantes, a tragédia ecoou de forma pessoal.
Paul McCartney e a música "Give Ireland Back to the Irish"
O resultado foi "Give Ireland Back to the Irish", single lançado pelos Wings em fevereiro de 1972, apenas semanas após o massacre. A decisão de gravar e lançar a faixa enfrentou resistência da EMI, gravadora de McCartney, que temia represálias e boicotes. "Sir Joseph Lockwood, chefe da EMI, me disse que seria banido pela BBC. E estava certo. Mas era um fato muito relevante para eu adotar uma posição neutra", recordou Paul.

Segundo o site Financial Times, a canção foi, de fato, proibida de tocar nas rádios britânicas, mas alcançou o primeiro lugar nas paradas da Irlanda e também na Espanha. Seu caráter de protesto, no entanto, gerou interpretações diversas, e alguns chegaram a classificá-la como um "grito de guerra" do IRA — algo que McCartney nega categoricamente. "Não foi escrita para ser isso. Para o bem ou para o mal, esse foi um momento em que senti que a arte poderia, e deveria, responder a uma situação."
A polêmica também atingiu os próprios Wings. Henry McCullough, guitarrista da banda e natural da Irlanda do Norte, foi criticado por ter participado da gravação. "Henry era protestante, e algumas pessoas ficaram chateadas com o envolvimento dele nesta canção", disse Paul.

Uma década mais tarde, U2 retomaria o mesmo episódio com "Sunday Bloody Sunday", lançada em 1983 no álbum "War". Bono fez questão de frisar que não se tratava de uma canção de rebeldia ou incitação à violência, mas sim um retrato do horror e da dor. Enquanto a versão dos irlandeses de Dublin tornou-se um dos maiores hinos políticos do rock, foi McCartney quem primeiro transformou a indignação em música.

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