O clássico do AC/DC que só conhecemos porque Bon Scott sabia consertar fita cassete
Por Bruce William
Postado em 27 de setembro de 2025
Nos anos 1970, enquanto muitas bandas tentavam acompanhar as mudanças do mercado musical, o AC/DC seguiu um caminho diferente. O punk, o funk e a new wave ganhavam força, e grupos consagrados lançavam discos de transição que nem sempre agradavam. Mas para os irmãos Angus e Malcolm Young, a regra era clara: nada de seguir tendências, o objetivo era apenas fazer boa música de guitarra.
Esse espírito ficou evidente em "Let There Be Rock" (1977), álbum que Angus considera um divisor de águas na carreira do grupo. Em suas palavras: "Achei ótimo porque todo mundo estava em outros gêneros: tinha punk, tinha new wave, um monte de coisa saindo. E eu só pensava: 'Isto é pura magia'. Esse álbum definiu o AC/DC aos meus olhos. Foi quando pensei: 'Esta é uma grande banda'."

Se "Let There Be Rock" consolidou o estilo direto e pesado, foi com "Highway to Hell" (1979) que a fórmula atingiu a perfeição. O disco se tornou um clássico absoluto, com riffs marcantes, vocais poderosos e solos certeiros. A faixa-título é até hoje vista como uma das maiores criações da banda, e Angus já declarou que não mudaria uma única nota dela.
O guitarrista recorda o momento em que a canção nasceu, durante um ensaio em Miami: "Estávamos sem um centavo. Malcolm e eu tocávamos guitarras num estúdio, e eu disse: 'Acho que tenho uma boa ideia para um intro', que acabou virando o começo de 'Highway to Hell'. Ele pegou a bateria e marcou o ritmo pra mim", disse o guitarrista, em fala publicada na Far Out.
Mas o que parecia um passo natural rumo a um hino eterno quase virou tragédia. A gravação inicial, feita em fita cassete, foi levada para casa por um funcionário do estúdio, que a entregou ao filho. O garoto acabou estragando a fita, deixando o futuro da música em risco. Naquela época, registrar ideias musicais em fitas cassete era prática comum. O problema é que as fitas eram frágeis: bastava um descuido para o carretel se enrolar, arrebentar ou amassar.
Muitos músicos - e também ouvintes comuns - recorriam a improvisos caseiros, como usar fita adesiva para emendar o trecho rompido ou até trocar o carretel de um cassete para outro. Foi exatamente esse tipo de habilidade que Bon Scott demonstrou ao salvar a gravação de "Highway to Hell", e com isso salvar o dia. Segundo Angus: "Bon era bom nessa coisa de consertar fitas cassetes, e ele arrumou tudo. Daí não perdemos a música."
Graças à habilidade improvisada do vocalista, "Highway to Hell" sobreviveu, e se tornou uma das composições mais emblemáticas não só do AC/DC, mas da história do rock. A faixa se tornaria não apenas a mais célebre do AC/DC, mas também o cartão de visitas definitivo da banda, o riff que os apresentou ao mundo e um dos maiores hinos da história do rock. Lançado em 1979, o álbum homônimo acabou sendo também a última gravação de Bon Scott antes de sua morte, o que só aumentou o peso simbólico da faixa-título. Daquele momento de risco com uma fita cassete frágil nasceu um clássico imortal, que atravessa gerações sem perder a força.
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